Peter Parks/AFP
Peter Parks/AFP

Fabiana, um salto para conquistar o mundo

Brasileira salta 4,85 m, iguala sua melhor marca, unifica títulos e se torna a primeira representante do País a ganhar ouro no Mundial

Entrevista com

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - A terça-feira histórica do atletismo nacional começou por volta das 9h30, no horário de Brasília, quando Fabiana Murer ganhou o ouro no salto com vara do Mundial de Daegu. Foi a primeira vez que um atleta do Brasil subiu ao lugar mais alto do pódio em um competição desta importância. Na Coreia do Sul, a saltadora unificou os títulos mundiais - venceu o torneio indoor, em 2010 - e também igualou sua melhor marca na carreira ao alcançar os 4,85 metros. Murer ainda estava na pista quando falou ao Estadão.

Estadão - Você disse que quando passou os 4,80 metros viu que era possível ganhar o ouro. Como se sentiu durante a prova? A impressão era a de que você tinha controle total da situação.

Fabiana Murer - Eu entrei na prova super confiante depois de ter feito uma boa eliminatória. Comecei a final com uma vara mais forte, apesar de ter iniciado na mesma altura (da eliminatória, 4,55 metros). Vi a disputa do masculino e percebi que dava para fazer um bom resultado, porque a pista é veloz. O importante é que eu estava bem treinada.

Estadão - Você sempre fala que procura boa técnica no salto e constância nas marcas. Acha que atingiu este ponto?

Fabiana Murer - Na verdade, não tive um ano tão bom. Acho que estava tão focada no Mundial, queria tanto estar aqui, que acabei tendo pouca motivação nas outras competições. Mas é claro que como os resultados às vezes não vinham, batia uma certa insegurança. Pensava: "será?". Antes de vir para o Mundial fiz bons treinos e voltou a confiança.

Estadão - A respeito de Yelena Isinbayeva, que você derrotou em seus dois títulos mundiais. Esperava que ela fosse melhor (foi 6ª, com 4,65 metros)?

Fabiana Murer - Esperava que ela fosse saltar mais alto, mas mudar de técnico é complicado, um problema a mais. Estava preparada para uma disputa grande com ela, mas não estava marcando nenhuma atleta na prova, nem a Yelena. Estava preocupada em fazer a minha técnica. É claro que eu ficava atenta a quem passava ou não, até para saber como eu estava na competição. Mas fiquei pensando o tempo todo no meu salto.

Estadão - Sua prova começou às 19h05, no horário de Daegu. Ou seja, você passou um dia inteiro antes de ir à competição. Como foi seu dia até chegar ao estádio?

Fabiana Murer - Acordei umas nove e pouco, fui tomar café da manhã e voltei para o quarto para assistir o Mundial pela TV. Vi as provas da manhã e decidi almoçar um pouco mais tarde, umas 15 para as duas, porque iria competir à noite e não comeria mais nada. Aí decidi deitar um pouco. Achei que não ia conseguir, mas dei uma dormidinha de uns 20 minutos. Peguei o ônibus para sair da vila dos atletas às 16h10. E até agora estou só com o almoço (risos). Só comi umas bolachinhas (eram quase 2h da madrugada em Daegu).

Estadão - Seu técnico, Elson Miranda, disse que a participação do Vitaly Petrov (ex-técnico de Isinbayeva, com quem trabalham desde 2001) foi fundamental para o ouro.

Fabiana Murer - O Vitaly ficou bem mais concentrado em nós. Antes ele tinha a cabeça mais na Yelena, o que era normal, mas agora o principal foco é a gente, do Brasil - eu, o Fábio (Gomes, 8.º na final masculina), o Thiago Braz (prata na Olimpíada da Juventude). Fui com ele a algumas competições e foi muito legal. Ele é um técnico super experiente e tem essa coisa de saber a estratégia da prova e me conhece bem, dá umas dicas muito boas. Foi muito bom ele ter vindo para Daegu junto com o Elson, como técnico do Brasil.

Estadão - Você é a única atleta do País que efetivamente vive o circuito mundial. Como é ficar tanto tempo longe?

Fabiana Murer - Não é fácil, tanto neste ano quanto no ano passado eu fiquei três meses fora do Brasil. Agora até que foi mais fácil, mas você sente falta de tudo. Mas vale a pena, são experiências que a gente vai ganhando para chegar nisso (a medalha).

Estadão - E ainda tem a última etapa da Liga Diamante...

Fabiana Murer - É verdade. Salto em Zurique (dia 8) e, para garantir o bicampeonato, preciso ganhar a prova (está em 2.º, atrás da alemã Silke Spiegelburg). Mas quero comemorar um pouquinho antes, descansar, para aí começar tudo de novo se eu quiser ser campeã.

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