Fábio Santos volta, pede desculpas e diz ter ''caráter''

''Se meus companheiros não quisessem, eu não estaria aqui'', afirma

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

Pela segunda vez em 45 dias, um jogador do São Paulo convoca entrevista coletiva para pedir desculpas aos companheiros. Depois de Adriano, ontem foi a vez de Fábio Santos, que aproveitou os microfones para cutucar Carlos Alberto. ''Voltei por força do elenco, por reconhecimento a meu trabalho e a minha pessoa'', disse o volante. ''Se eu fosse um mau-caráter, não estaria aqui.'' O meia Carlos Alberto, com quem brigou no dia 4 de abril, continua fora. ''Conversamos como dois adultos, dois profissionais, pedi desculpas e ele aceitou.''O vice-presidente de futebol do São Paulo, Carlos Augusto Barros e Silva, confirmou que os companheiros pediram a reintegração de Fábio Santos e não a de Carlos Alberto. ''Bom, pelo menos não expressamente'', disse o cartola tricolor.Fábio Santos desconversou sobre o tema. ''Não acho que tenha mais força do que ele no grupo'' disse. ''Eu queria ver o Carlos Alberto de volta também.''O ato de indisciplina de Fábio Santos - que atirou um relógio no companheiro e depois abandonou a concentração - lhe custou suspensão de 29 dias, mas a pena foi abreviada pela ausência de volantes no elenco. Para o segundo jogo da semifinal do Campeonato Paulista, no domingo, contra o Palmeiras, o técnico Muricy Ramalho não teria substitutos para os suspensos Richarlyson e Zé Luís.''Sei que minha reintegração partiu dos jogadores, por causa da necessidade. Mas poderiam ter chamado juniores para o meu lugar'', declarou Fábio Santos. ''Não foi à toa que eu voltei.''O salário do jogador volta a ser pago. ''Descontaremos apenas os 10 dias que ele ficou parado'', contou Barros e Silva. Fábio Santos disse que, nesse período, treinou três vezes e perdeu dois quilos. ''Fiquei nervoso com a situação, isso contribuiu.''''Muricy garantiu que não pressionou a diretoria pela volta de Fábio Santos. ''Eu sou parceiro'', afirmou. ''O que a diretoria definir está sempre certo.'' Ele contou que o volante lhe telefonou dias após o incidente para se desculpar. ''Você fez m..., agora segura a onda'', respondeu Muricy. ''Ele voltou porque os companheiros gostam dele. Se a gente não precisasse de volantes, aí não sei.''Treinador e diretoria esperam que o castigo tenha, para Fábio Santos, o mesmo efeito que teve para Adriano. ''O ser humano às vezes precisa de um obstáculo para dar a volta por cima'', comentou Muricy Ramalho.O volante garante que os problemas acabaram. ''Foi a primeira vez que eu errei num clube'', jurou. ''Tive outros problemas, mas não nos clubes que joguei.'' Em 2004, Fábio Santos foi detido sob a acusação de agredir a mulher. ''Aqui tem um ser humano de caráter.''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.