Fábricas de artigos olímpicos da China são acusadas de abusos

Um grupo de direitos trabalhistas sediado em Hong Kong criticou os organizadores da Olimpíada nesta terça-feira por não impedirem os abusos "escandalosos" em duas fábricas de artigos olímpicos da China.

JAMES POMFRET E TWINNIE SIU, Reuters

24 de julho de 2012 | 10h47

Na mais recente investigação de manufaturas terceirizadas na China, o grupo Sacom (estudiosos e estudantes contra o mal comportamento corporativo, na sigla em inglês) analisou dois fornecedores olímpicos e disse ter detectado segurança precária no local de trabalho, salários exíguos e horas extras em excesso.

O grupo disse que a Locog (organizadora dos Jogos) não conseguiu reforçar o monitoramento dos fornecedores chineses, mesmo depois de uma reportagem de grande destaque da campanha Playfair, sediada na Grã-Bretanha, em janeiro.

"As violações escandalosas de direitos revelam que os códigos da Locog não são mais que conversa fiada, sem comprometimento com a aplicação de padrões de direitos trabalhistas", disse a Sacom, grupo que advoga direitos trabalhistas na China, em relatório sobre sua investigação em maio e junho.

Nas duas fábricas, diz o relatório, os trabalhadores tinham turnos de 11 a 12 horas seis dias por semana e até 120 horas extras por mês. Em uma delas, trabalhadores que cochilassem durante o trabalho perdiam o pagamento de duas horas, e em outra um atraso de cinco minutos era punido com metade do salário de um dia.

"Os trabalhadores estão expostos a um ambiente de trabalho perigoso, sem equipamento de proteção adequado", apontou o documento. "Em uma das fábricas, alguns trabalhadores têm que levar suas próprias máscaras ao trabalho".

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