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Façanha Chinesa

Na Li vence a número 1 Wozniacki e entra para a história como a 1ª de seu país a chegar à decisão de um Grand Slam

, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Dois anos e meio depois de dominar a Olimpíada de Pequim, a China assume posição central sob os holofotes também no tênis. Com a vitória sobre a número 1 do mundo, Caroline Wozniacki, no Australian Open, a forte e carismática Na Li coloca um representante do país pela primeira vez na história numa final de simples de Grand Slam.

"Muitos jogadores treinam a vida toda a não conseguem chegar a uma final de Grand Slam. Agora tenho minha chance. É um grande feito", disse a número 11 do ranking mundial. "Espero que seja algo bom para minha carreira e para o tênis chinês."

Li, 28 anos, esteve a ponto de ser eliminada de novo nas semifinais do Grand Slam australiano - já havia alcançado esta fase no ano passado. Mas, embora tenha exagerado nos erros nos dois primeiros sets, manteve-se forte na sua estratégia de alto risco de colocar bolas na linha e obrigar a dinamarquesa a ficar na defensiva. Salvou um match point para fechar o jogo: 3/6, 7/5 e 6/3.

Depois das partidas, emerge o surpreendente lado bem-humorado da chinesa. Após vencer Andrea Petkovic, Na Li contou que aproveita o cartão de crédito do marido e técnico enquanto ele analisa o jogo das próximas adversárias. Ontem, quando perguntada sobre o que pensou para salvar o match point, foi direta: "Na premiação. Ir à final significa ter mais dinheiro (1,1 milhão de dólares australianos, cerca de R$ 1,8 milhão)". A plateia da Rod Laver Arena exultou.

Isso ocorreu um pouco antes de ela tentar dar uma explicação para a atuação desastrada dos dois primeiros sets. "Acordei praticamente a cada hora na noite anterior, meu marido não parava de roncar", contou, para nova onda de gargalhadas no estádio. "Ele simplesmente me dizia: "Relaxa". Como eu poderia relaxar? Acho que a partir desta noite ele vai dormir no banheiro."

Estar a ponto de cair parece ser rotina para a chinesa. Todo tenista, vez ou outra, acaba sendo derrotado e precisa aprender a conviver com isso. No início da carreira, entre 2002 e 2004, Na Li não queria mais passar por esta experiência. Largou o tênis e dedicou-se aos estudos. Cursou jornalismo por dois anos na Universidade Central da China. Desistiu. Voltou para o esporte que está a ponto de consagrá-la como uma das maiores desportistas da história de seu país.

"Tinha um ranking baixo, não conseguia jogar grandes torneios. Estava difícil de encontrar o lado positivo do tênis", recordou Na Li. "Mas não conseguia ter vontade de procurar por um emprego. Voltei a pensar a estar na quadra. O tênis faz parte da minha vida."

A China investiu muito no esporte antes da Olimpíada, o que já deu alguns resultados. Além de Li, há outras três tenistas do país no top 100. E a dupla Jie Zheng/Zi Yan levou a medalha de bronze na competição.

Decisão. A final de amanhã será uma reedição da decisão do Torneio de Sydney, vencido por Li. Ela enfrenta a belga Kim Clijsters, que passou pela russa Vera Zvonareva, por duplo 6/3, em 73 minutos. Em 2004, Clijsters também esteve na disputa pelo troféu. Foi batida pela compatriota Justine Henin, que anunciou a aposentadoria na quarta-feira.

PRINCIPAIS MARCAS

Títulos mais importantes: Sydney (2011), Birmingham (2010), Gold Coast (2008) e

Guangzhou (2004)

Melhores campanhas em Grand Slams: Final do Australian Open (2011), oitavas de final de Roland Garros (2009), quartas de final de Wimbledon (2006 e 2010) e do US Open (2009)

Melhor colocação no ranking mundial: 9ª (23 de agosto de 2010)

Retrospecto em 2011: 11 vitórias e nenhuma derrota

Retrospecto na carreira: 368 vitórias e 133 derrotas

Premiação total recebida: R$ 5,7 milhões

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