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Falcao García, o Tigre colombiano, ruge cada vez mais alto

Goleador desde a infância, jogador do Atlético de Madrid é um dos principais astros do futebol

Gonçalo Júnior e Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h06

SÃO PAULO - É noite de 2 de setembro e o Aeroporto Ernesto Cortissoz, em Barranquilla, está cheio. Aos poucos, vindos de vários pontos do planeta, desembarcam os 27 jogadores convocados pelo técnico argentino José Pekerman para defender a Colômbia em mais um jogo das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Só falta um para desembarcar e, por causa dele, ninguém arreda o pé.

Onze dias depois. O local agora é o Estádio Vicente Calderón, em Madri. Três mil colombianos carregam bandeiras do país para assistir ao jogo Atlético de Madrid x Getafe, pelo torneio nacional, graças a uma promoção que lhes deu o direito de pagar um valor simbólico pelo ingresso para a milionária liga: 8 (R$ 21).

O fio que une Barranquilla à capital espanhola é Radamel Falcao García, o melhor jogador colombiano depois da geração de ouro surgida nos anos 90. Seu segundo nome é uma homenagem a Paulo Roberto Falcão. "Ser homenageado dessa forma, dando o nome para um jogador tão importante, é uma da coisas mais marcantes que podem acontecer com um atleta. Assisto aos jogos que ele faz com atenção especial. Naturalmente, quero que ele vá bem e que continue marcando gols. Ele é um excelente atacante", diz o ex-atleta.

Em um aspecto, sua história é parecida com a de Lionel Messi: os dois ganharam os aplausos do mundo antes de cativar seus conterrâneos. A passagem de Falcao pelo futebol de seu país seria considerada nula, não fosse por um recorde alcançado pelo garoto que nasceu em Santa Marta, na região caribenha colombiana.

Aos 13 anos e seis meses, 'Falca', como era chamado no Lanceros Fair Play, da Terceira Divisão, tornou-se o mais jovem jogador a atuar no futebol profissional da Colômbia. Atendia, assim, a um chamado do seu próprio DNA - seu pai fora jogador. O faro de gol, no entanto, é um talento nato, e não herança do zagueiro central Radamel García.

"Via meu pai na defesa e me desesperava, queria que ele fosse ao ataque e marcasse um gol", disse Falcao, em 2001, segundo o jornal El Tiempo, de Bogotá. Todos os seus treinadores nas categorias de base são unânimes ao apontar a capacidade de fazer gols como sua principal virtude. Além disso, 'Falca' tinha uma autoconfiança incomum para um garoto de sua idade.

DOIS ANOS

O atacante ficou pouco tempo na Colômbia. Só dois anos, da estreia no Lanceros ao Millonarios, de Bogotá. Aos 15 anos, ganhou sua primeira chance em um grande clube: o River Plate, da Argentina. Com calma e paciência raras no futebol atual, o atacante levou quatro anos para debutar nos time profissional do gigante argentino.

Aos 19 anos, em 2005, Falcao estreou como titular pelo River Plate. A lenda diz que fez cinco gols no primeiro treinamento. As fichas técnicas registram sete gols em seus primeiros sete jogos. Seu início no River foi como um cometa: brilhante, mas fugaz. Depois de sofrer duas lesões sérias no joelho direito, Falcao ficou mais de um ano parado. Foi depois disso que retomou as façanhas do início da carreira. Humilhou o Botafogo na Sul-Americana de 2007 com três gols no mesmo jogo. Ali surgiu o apelido Tigre, dado por um companheiro por sua combinação de agilidade, esperteza e velocidade.

"Ele é um brigador. Mesmo jogando de costas, como pivô, ou na base da velocidade, ele é muito difícil de ser marcado. É o melhor camisa nove que eu já vi", elogia o lateral Filipe Luís, seu companheiro no Atlético.

Os torcedores do River têm tanto orgulho de Falcao que dizem que ele nasceu na Colômbia, mas é a Argentina a sua pátria futebolística.

O país de Maradona logo ficou pequeno para os gols de Falcao. Por € 3,93 milhões (R$ 10, 2 milhões), o atacante foi para o Porto no início de 2009. As duas temporadas como vice-artilheiro do Campeonato Português serviram como trampolim para o Atlético de Madrid. Um salto de €40 milhões (R$ 104 milhões).

"Falcao é um finalizador perfeito. Para marcá-lo é preciso se antecipar, não deixar que ele domine. Ele pensa sempre um segundo antes da jogada e isso é um grande diferencial para um atacante", elogia o zagueiro Miranda, outro de seus companheiros no Atlético.

Falcao puxou os holofotes para si na Liga Europa, segundo torneio mais importante do continente (a antiga Copa da Uefa). Campeão com o Porto e o Atlético, Falcao fez chover na edição 2010/2011: anotou 17 gols em 14 jogos e bateu o recorde de tentos em uma edição, que pertencia ao alemão Klinsmann.

NÚMERO 3

O colombiano foi o terceiro colocado na artilharia do Campeonato Espanhol 2011/2012, com 24 gols, atrás de Cristiano Ronaldo (46) e Messi (50). Simbolicamente, esse é o lugar que ele ocupa na hierarquia dos goleadores mundiais. Muitos especialistas afirmam que será Falcao - e não Casillas, Xavi e Iniesta - quem vai para a final da eleição de melhor do mundo da Fifa junto com os dois maiores astros do futebol atual.

Embora superlativos, esses números colocam o Tigre só na metade da escada. Falta uma camisa pesada como teste. E a chance pode aparecer na próxima janela de transferências. O Chelsea, de Roman Abramovich, estaria disposto a pagar € 62 milhões (R$ 162 milhões) em janeiro. O Real Madrid também está na briga.

Na Colômbia, Falcao é o número dois - só perde em popularidade para a cantora Shakira. Filipe Luís ficou assombrado com o assédio da torcida durante os amistosos que a equipe espanhola realizou no país nos últimos dois anos. "Todos param para pedir autógrafos e ele não consegue andar. Ele é o Ronaldo da Colômbia. Dentro e fora de campo."    

 

10 gols

 

Falcao García marcou pelo Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol. Ele está em terceiro na artilharia, atrás de Messi (15) e Cristiano Ronaldo (12).

 

11 títulos

 

O atacante já conquistou em sua carreira, entre eles o bicampeonato da Liga Europa (2011 e 2012), o bi do Campeonato Português (2011 e 2012) e a Supercopa da Europa (2012).

 

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