Falcão pede alto e Palmeiras estuda outros nomes

Após o primeiro contato não houve acordo. Há a possibilidade de nova reunião hoje. Técnico está em São Paulo.

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h08

O Palmeiras não esperava que a escolha de um novo treinador fosse tão complicada. Se com Jorginho a negociação não deu certa porque o Bahia não quis liberá-lo, a situação com Paulo Roberto Falcão é um pouco diferente e esbarra em dois pontos: o tempo de contrato e o alto salário pedido pelo técnico.

Representantes do Palmeiras estiveram em Porto Alegre na noite de segunda-feira para conversar com Falcão. Apresentaram a proposta e ouviram do treinador as condições para que ele aceitasse assumir o time que vive delicada situação no Campeonato Brasileiro, cada vez mais ameaçado do rebaixamento.

"Passei minhas condições e eles ficaram de analisá-las. Disse que gostaria de participar do projeto do Palmeiras em 2013", afirmou Falcão na tarde de ontem ao Estado, minutos antes de embarcar para São Paulo - ele participaria de um programa esportivo na televisão durante a noite. "Ainda estou aguardando uma resposta", falou.

A diretoria do Palmeiras não gostou muito da contraproposta do treinador. Inicialmente, o clube ofereceu um vínculo de apenas três meses, até o final do Brasileiro, que foi prontamente rechaçado por Falcão - ele pede para ficar até o fim de 2013. O principal problema, no entanto, está na parte financeira.

Demitido há dois meses do Bahia, o técnico pediu cerca de R$ 500 mil mensais, quase o dobro do que havia sido oferecido pelo clube paulista. O Palmeiras já avisou que não pagará tudo isso e ainda vai estudar se vale a pena fazer uma nova oferta. "Ele não vale o que pediu. Foi um grande jogador, mas o que ganhou como técnico?", indagou um diretor, que preferiu não ter seu nome divulgado. "O problema é que muita gente quer ganhar perto do que o Felipão ganhava (R$ 700 mil). Mas o Felipão era campeão do mundo."

Como Falcão está em São Paulo, uma nova conversa pode ser agendada para hoje. Mas muita gente no clube já questiona se vale a pena trazer Falcão e acham que o presidente Arnaldo Tirone não deve aumentar a proposta inicial.

Falcão pediu alto e um contrato longo justamente por saber da má fase do time. Não quer, por exemplo, ficar marcado como o treinador que caiu com a equipe para a Série B. E, se o rebaixamento vier, pretende estar junto na competição nacional do ano que vem e também na disputa da Taça Libertadores. Questionado se valia assumir o Palmeiras nesta situação delicada, o treinador preferiu não comentar. "Se eu for contratado, aí poderemos conversar melhor."

Caso Falcão não dê certo, diretores já analisam outro nome para assumir o time. Sérgio Guedes, Caio Júnior, Sérgio Soares e até Renato Gaúcho foram alguns nomes ventilados no clube.

Com as dificuldades para contratar, o time alviverde deve ser mais uma vez dirigido pelo interino Narciso, no sábado, contra o Figueirense, fora de casa. O treinador não teve tanta sorte logo em seu primeiro jogo: derrota por 2 a 0 no clássico contra o Corinthians, no domingo.

"Temos de dar apoio para ele neste momento", pediu o zagueiro Maurício Ramos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.