Fama de Larri atrai pupilos até da China

Antigo técnico de Guga treina o promissor Yang, de Taiwan, que integra a 'armada brasileira' no Grand Slam da Austrália

, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

O Brasil só agora, com muitos anos de atraso, parece que está aproveitando o bonde de Gustavo Kuerten para solidificar os investimentos no tênis. Outros países chegaram antes e continuam a aportar na academia de Larri Passos, em Balneário Camboriú (SC), à procura dos segredos que levaram um jogador de um país sem muita tradição na modalidade a chegar a número 1 do ranking. O último é a sensação taiwanesa Tsung-Hue Yang.

O tenista de 19 anos começou a treinar com Larri há pouco mais de um mês. Ainda não conquistou nenhum resultado expressivo no circuito profissional (atualmente é o 294.º do ranking), mas assustou jogadores bem mais experientes. No Aberto de São Paulo, na semana passada, no Parque Villa-Lobos, só perdeu para Ricardo Mello (76.º do mundo e tetracampeão do challenger) no tie-break do terceiro set - 3/6, 6/4 e 7/6 (7/4) -, após quase três horas de partida.

"Gosto de trabalho duro e o Larri é o treinador perfeito para isso. Com ele não tem de ficar de piadinhas na quadra, ele é sério e exige muito", diz o taiwanês, que chegou a liderar o ranking juvenil em 2008 e tem patrocínios expressivos. Comenta-se que o técnico brasileiro esteja recebendo 250 mil anuais (R$ 543 mil) para orientar a revelação, valor alto para os padrões da modalidade. "Para mim, o Larri é o melhor treinador do mundo", elogia o pupilo.

Yang é ambicioso, mas não consegue esquecer também das coisas boas da vida. Estrela em seu país - foi considerado um dos homens mais bem vestidos de Taiwan em uma pesquisa -, sonha em participar de um Grand Slam. Não será agora no Australian Open porque ainda não teve ranking suficiente para entrar no torneio qualificatório. A meta ficou para maio, em Roland Garros. E espera que, um dia, o treinador linha-dura o libere para passar o carnaval no Brasil. "As mulheres daqui são muito bonitas. Só não acho que vou conseguir liberação para participar agora da festa. O Larri não vai deixar."

Não é só Yang que admira Larri. O treinador conta que é recebido como herói quando chega na Ásia. "Eles estendem um tapete vermelho para me receber lá, é incrível", conta o também treinador de Thomaz Bellucci, tenista número 1 do País - que enfrenta Ricardo Mello na estreia na Austrália. "Recebi sondagem para comandar a parte técnica do tênis chinês. Só não aceitei porque a missão com o Bellucci é muito importante para o tênis brasileiro", explica Larri. "Sofri muito com o Guga no circuito, agora já sabemos o caminho. Também é hora de ganhar um pouco de dinheiro", brinca o treinador.

Larri é o "chefe" de uma espécie de equipe do Brasil no Australian Open. São três tenistas garantidos na chave principal do torneio, quatro no qualificatório, nas duplas e no juvenil, além de seis técnicos. Yang está com eles, aprendendo.

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