Fabio Canhete / Canoagem Brasileira
Isaquias Queiroz, medalhista olímpico da canoagem velocidade, com o filho Sebastian e a mulher Laina  Fabio Canhete / Canoagem Brasileira

Isaquias Queiroz, medalhista olímpico da canoagem velocidade, com o filho Sebastian e a mulher Laina  Fabio Canhete / Canoagem Brasileira

Família 'empurra' Isaquias Queiroz para mais medalhas na canoagem

Vencedor de duas pratas e um bronze em 2016, canoísta levou a mulher e o filho para Lagoa Santa (MG)

Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Isaquias Queiroz, medalhista olímpico da canoagem velocidade, com o filho Sebastian e a mulher Laina  Fabio Canhete / Canoagem Brasileira

A família tem sido o combustível para a extenuante rotina de Isaquias Queiroz rumo ao pódio em Tóquio. O brasileiro da canoagem velocidade, que conquistou três medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, está se preparando para a edição de 2020, no Japão, e decidiu levar sua mulher, Laina, e o filho Sebastian para ficar mais perto dele. Eles estão em Lagoa Santa (MG), perto do Centro de Treinamento da equipe de canoa do Brasil.

"Eu saio cansado dos treinos, mas chego em casa e ganho o carinho da esposa. Isso me dá a sensação de ser muito amado", diz Isaquias, que está junto com Laina desde 2017. "Ela sabe meu cronograma e encaixa os horários do Sebastian também para que nós tenhamos descanso no mesmo tempo. Ela me ajuda na minha rotina", continua o atleta baiano.

Aos 25 anos, Isaquias é um dos principais nomes brasileiros do esporte na atualidade. Se em 2016 ficou faltando o ouro (ele ganhou duas medalhas de prata e uma de bronze), o treinamento tem sido feito para subir ao lugar mais alto do pódio. Neste ano, ele foi campeão mundial na prova de C1 1.000m e bronze no C2 na mesma distância, ao lado do amigo Erlon Souza.

Por competir em diversas partes do mundo, o fuso horário nem sempre facilita para que sua família acompanhe tudo, mas Laina faz um esforço de madrugada para prestigiar o marido. "Eu sei que ela está em casa assistindo muitas vezes de madrugada e vejo isso como uma forma de reconhecimento", comenta Isaquias.

Laina, por sua vez, faz questão de prestigiar. "Muitas provas tinham fuso de até cinco horas de diferença, então acordava às 3h da manhã. Eu dormia umas quatro horas por dia", conta. O contato pelo celular também é frequente. "Ele acorda, fala comigo, vai para o café, fala comigo, e antes da prova fala novamente. Eu gosto de me fazer presente também e saber como ele está naquele momento, se está nervoso, se está tranquilo... Gosto de estar por dentro de tudo já que nem sempre posso me fazer presente", continua.

Além das conversas e apoio, Laina ajuda a cuidar de Isaquias nos mínimos detalhes. Principalmente em relação a uma modalidade que castiga muito o corpo. "Eu pego no pé dele em relação aos cuidados. Muitas vezes, por exemplo, ele se expõe demais ao sol, então sempre falo para ele passar protetor", explica.

Todo esse carinho especial da esposa é recompensado com as vitórias. Isaquias já se tornou famoso ao fazer a letra "L" com os dedos ao final das provas, em homenagem a Laina. "É gratificante. Fico muito feliz por ele lembrar de mim, às vezes até choro porque é muito bom você ter o retorno de algo que você faz por amor, por sua própria iniciativa. Ter aquele retorno me deixa ainda mais realizada."

Do seu jeito extrovertido, Isaquias até lembra da vez que tomou uma "bronca" da esposa em sua comemoração ao final de uma prova internacional. "Uma vez fiz um 'L' de cara fechada e ela ficou meio triste, ela disse que eu tenho que fazer o 'L' com sorriso no rosto", relembra, rindo.

FORÇA DA MÃE

Dona Dilma vive em Ubaitaba, no sul da Bahia, e sempre reza pela saúde do filho. Toda vez que tem uma brecha, Isaquias vai ver sua mãe e os irmãos. No cardápio está o prato preferido do rapaz: o feijão bem temperado que só ela sabe fazer. "O melhor suplemento é a comida", diz Isaquias.

Essa união familiar carrega Isaquias rumo a Tóquio. Quando tem um espaço na apertada agenda de treinamentos ele visita a irmã, Mara, em São Paulo. "Eu pego o primeiro avião no fim de semana e vou pra casa dela", conta o canoísta, que se delicia com uma iguaria que a irmã põe na mesa: bife ao molho com arroz e feijão.

Ele também tem um carinho especial por Berg, o irmão mais velho que ajudou na criação dele e de Isaac e Lucas, mais novos. "Fico muito feliz, é uma satisfação enorme ver que ele está representando o país e nossa família. Isso nos dá muito orgulho", conta Berg, que ajudava a “bancar” Isaquias nas competições com o que sobrava de seu salário na padaria em que trabalhava.

Dos irmãos, Isaac foi o primeiro a entrar para a canoagem, mas teve de abandoná-la para ajudar na renda da família. Mas foi ele quem apresentou Isaquias para a modalidade. Agora, é o caçula Lucas que tenta fazer sucesso no esporte e recebe um grande incentivo do campeão mundial. Mal sabe ele que, na realidade, ele e seus irmão são os pilares do atleta. "Acredito que saber encaixar a família com o trabalho realmente funciona", diz Isaquias.

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Isaquias conquista ouro no Mundial

Canoísta baiano terminou o percurso em 3min59s23, única marca abaixo dos quatro minutos

Redação, Estadão Conteúdo

25 de agosto de 2019 | 09h30

Após faturar o bronze no C2 1000 metros ao lado de Erlon Souza no sábado, Isaquias Queiroz superou os rivais, o cansaço e um resfriado e provou, mais uma vez, que é um dos melhores canoístas da atualidade ao conquistar, neste domingo, o ouro no C1 1000 metros no Mundial de Canoagem Velocidade, que está sendo disputado em Szeged, na Hungria.

Isaquias ignorou o cansaço advindo das provas no sábado - além da final ao lado de Erlon, também passou por uma bateria desgastante na semifinal - e terminou o percurso em 3min59s23, única marca abaixo dos quatro minutos, deixando para trás o polonês Tomasz Kczor (4min00s92), que ficou com a prata, e o francês Adrien Bart (4min01s55), dono do bronze.

"É muito bom poder ganhar aqui. Vim sem estar totalmente preparado, com uma gripe, mas é trabalho. Eu botei o tronco embaixo e fui remando. Acordei feliz, acordei bem e fui pra cima. Quando abri vantagem ali nos 250 metros finais, eu disse: 'é minha, ninguém tira'", comemorou.

Na final, Isaquias começou a prova com um ritmo mais leve e passou a acelerar a partir da metade do trajeto, quando pulou para a quarta posição. Nos últimos metros, imprimiu uma velocidade incrível e abriu grande vantagem para os rivais para vencer com autoridade. Campeão, se jogou na água para festejar o título mundial.

O alemão Sebastian Brendel, principal rival de Isaquias nos últimos anos e que havia ficado à frente do brasileiro nas semifinais, foi só o quarto colocado (3min55s33), pouco à frente do checo Martin Fuksa, que fechou a prova em quinto.

O baiano é o atual vice-campeão olímpico desta prova. Nos Jogos do Rio-2016, ele foi superado justamente por Brendel. Nos Jogos pan-americanos de Lima, no Peru, Isaquias aproveitou a ausência do rival e confirmou o favoritismo.

Isaquias conquistou sua 12ª medalha em Mundiais adultos, a sexta de ouro. Os cinco primeiros colocados garantiram vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Isaquias já estava classificado para o grande evento por ter ficado em terceiro lugar na final do C2 1000 metros, ao lado de Erlon de Souza, no início deste sábado.

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Isaquias e Erlon garantem vaga em Tóquio

Dupla supera vento forte contra e consegue chegar na terceira posição, com o tempo de 3min44s34

Redação, Estadão Conteúdo

24 de agosto de 2019 | 09h54

O Brasil garantiu mais dois nomes importantes nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Neste sábado, Isaquias Queiroz, um dos principais atletas do esporte olímpico brasileiro, e Erlon Souza levaram o bronze no C2 1000 metros do Mundial de Canoagem e Paracanoagem, que está sendo realizado em Szeged, na Hungria, e, com isso, carimbaram a vaga olímpica. Já são 106 vagas confirmadas de atletas brasileiros em Tóquio.

A dupla superou o vento forte contra e conseguiu chegar na terceira posição, fechando o percurso com o tempo de 3min44s34. Emocionados, Isaquias e Erlon dedicaram a medalha a Jesus Morlán, técnico espanhol diretamente responsável pelo bom desempenho dos canoístas nos últimos anos e que faleceu em novembro de 2018 após batalhar contra um câncer no cérebro.

Superados pelos brasileiros nas semifinais, os cubanos Serguey Torres Madrigal e Fernando Dayan Jorge Enriquez ficaram com a prata ao terminar a prova em 3m41s46. O ouro foi para os chineses H. Liu e H. Wang, que lideraram desde o começo e venceram com o tempo de 3m40s55. O pódio da prova não teve um representante europeu pela primeira vez.

Nos Jogos Pan-Americanos de Lima, os brasileiros não conseguiram ganhar essa mesma prova porque Erlon passou mal na disputa pelo ouro. No Mundial, os dois só não garantiriam vaga em Tóquio se terminassem em último lugar. Ainda neste sábado, Isaquias volta a competir. Ele disputa as semifinais do C1 1000 metros.

MAIS MEDALHA

O Brasil também teve bom desempenho na paracanoagem. Caio Ribeiro, que já havia sido prata no VL3, conquistou sua segunda medalha em Szeged. O brasileiro fechou a prova do KL3 200 metros com o tempo de 40s70 e levou o bronze. O russo Leonid Krylov foi prata (40s03) e o ouro foi conquistado pelo ucraniano Serhii Yamelianov (40s56).

O bronze de caio foi a quarta medalha brasileira no Mundial na Hungria. Além das duas de Caio, Luis Carlos Cardoso também subiu no pódio duas vezes. Foi ouro no VL2 200 metros e bronze no KL1 200 metros. Débora Benevides foi quarta colocada no VL2 200 metros e também garantiu vaga para o País nas Paralimpíadas de Tóquio.

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