Fato novo

Nada como um clássico para ajudar a tirar o pé da lama. Lama demais para um finalista da Taça libertadores. Felipão bem que tentou aproveitar a oportunidade, escalou o melhor Palmeiras possível para garantir três pontos diante do Corinthians reserva.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h07

Pela característica dos times, cabia ao Palmeiras tomar a iniciativa da partida. Por isso, Scolari iniciou o confronto no campo adversário, marcando a saída de bola e investindo na dificuldade dos volantes corintianos, Marquinhos e William Arão, em conduzir o jogo ao ataque.

O gol marcado por Mazinho, aos 3 minutos, parecia o prenúncio de uma grande e tranquila vitória verde. Os jogadores perderam a mobilização inicial ao acreditar nisso. Permitiram o surgimento de um fato novo: Romário Ricardo da Silva, 21 anos, o Romarinho, autor de dois belos gols. É o poder do clássico.

Nem Valdivia deu jeito no Palmeiras. O ânimo da equipe podia ser medido também pelas finalizações certas, apenas três no alvo contra 12 corintianas. Aos poucos, o grupo de Felipão foi esmorecendo, resultado do cansaço físico e mental da semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio.

Poupar ou não poupar, essa é a questão. O clássico foi uma pancada muito forte no ânimo palmeirense. Mas fica a lição: quando o time de Felipão tomou a iniciativa do jogo, perdeu. Quando esperou... Pergunte a Luxemburgo. Do outro lado, Tite permanece provando que é possível marcar e jogar.

Fato velho. Mesmo depois de conquistar o título brasileiro de 2002 pelo Santos, com uma equipe de jovens jogadores como Diego, Robinho e Elano, Émerson Leão ainda sustenta a imagem do treinador sargentão, o tipo rude, pouco afeito ao diálogo, contratado para fazer o time funcionar pelo medo.

Quem o contrata espera justamente isso, não pode alegar desconhecimento. É um estilo, uma crença estabelecida no futebol brasileiro de que jogador só funciona na pancada. Até o São Paulo entrou nessa.

No desenho do grupo para a atual temporada, o presidente tricolor, Juvenal Juvêncio, avistou a necessidade de um time raçudo. Faltou, entretanto, um olhar criterioso, atento à defesa.

A fragilidade defensiva explica apenas parte do momento atual. O problema está no comando. Depois de alguns meses, do impacto inicial, daquele temor causado pelo novo treinador, o jogador já sabe com quem está lidando.

O respeito ao comando se dá pela capacidade de diálogo e pelo talento do chefe em preparar o time, antecipando dificuldades e apresentando saídas. O São Paulo ainda não chegou a esse momento e nem vai chegar.

Os jogadores respeitam a hierarquia e o treinador de fala rebuscada, mas não o homem capaz de arquitetar vitórias a partir dos treinamentos ou devido a sua perspicácia no banco de reservas. Isso o São Paulo não tem. O time mantém velhos defeitos, joga num único sentido, é vertical quando precisa e quando não deve. Está vazio, vazio de futebol e de ideias.

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