Fator Calçade

Setembro marca o início da terceira fase do Campeonato Brasileiro, a mais exigente e complexa. As derrotas de Palmeiras e Internacional aproximaram o São Paulo da primeira colocação e mostraram que esta pode ser a disputa de título mais acirrada das últimas temporadas. Um ponto separa os três primeiros colocados, que ainda não elegeram um favorito.

, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

O título ficará com quem conseguir exibir algo mais, além de bom rendimento físico, técnico e tático. O fator psicológico será decisivo. Agora que se conhece que tipo de campeonato cada clube está disputando, quem enxerga a Libertadores e quem dissolve suas energias na linha do rebaixamento, os confrontos ganham contornos bem definidos.

A questão é que nem sempre o grupo mais técnico está preparado mentalmente para suportar uma decisão a longo prazo, como a que virá nas próximas 14 rodadas. Vai ser preciso conviver com a pressão interna pelos resultados e também saber entender o que faz a concorrência. Quem conseguir sobreviver a tudo isso levará a taça.

A derrota do Palmeiras para o Vitória explica bem a situação. É óbvio que o time perde muito sem Diego Souza, e que Cleiton Xavier joga sobrecarregado sem o companheiro. Muricy tentou arranjar um caminho pelos lados do campo. Com três zagueiros, liberou Wendel e Armero para apoiar a construção das jogadas ofensivas, mas viu apenas o colombiano servir de rota para o ataque.

Pior. A ausência de Diego Souza não justifica a oscilação da equipe e seu descontrole defensivo. Pela primeira vez no Brasileiro 2009, o Palmeiras levou três gols, resultado de instabilidade que atingiu até o goleiro Marcos. Os baianos jogaram com empenho, é verdade, e possuem uma equipe melhor do que a classificação mostra atualmente, mas é o time de Muricy que está na liderança. Obviamente, espera-se mais dele.

Rodadas como esta podem mudar o campeonato, pois permitem a aproximação de quem estava apagado, como o Atlético Mineiro, por exemplo. Palmeiras, São Paulo e Inter representam as candidaturas mais fortes no momento da decisão, onde cada concorrente começa mapear as ações dos rivais. E sabe exatamente o que deve ser feito. É quando o fator psicológico torna-se fundamental.

Depois do início permeado pela disputa da Libertadores e da Copa do Brasil, os clubes passaram pelo corredor polonês de julho e agosto: oito semanas abarrotadas de jogos, que mostraram quem é quem na disputa pelo título. São três fases bem distintas, como se pode observar didaticamente no Corinthians, que certamente estaria nas primeiras colocações se não tivesse perdido jogadores, resultado de vendas e contusões.

Enquanto São Paulo e Palmeiras transformam a disputa pelo título num clássico, o time de Mano Menezes se refaz. A equipe equilibrada e vencedora do primeiro semestre desapareceu após a Copa do Brasil. Agora o treinador trabalha na reconstrução, com a ajuda dos absurdos de uma tabela dirigida pela televisão. Entre o jogo contra o Santos e o de quarta-feira, diante do Coritiba, Mano ganhou duas semanas para recuperar contundidos e treinar o novo time, com Marcelo Matos e Defederico. Se os rivais começarem a vacilar, o Corinthians pode ser o fato novo, pelo menos no G-4.

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