Biel Alinõ/EFE
Biel Alinõ/EFE

Faverani vai a Boston com fome de sucesso

Pivô gaúcho, que assinou contrato de três anos com o Celtics, tenta se firmar na NBA após fazer sucesso na Espanha

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2013 | 07h00

SÃO PAULO - No início de setembro, vai chegar ao mítico ginásio Boston Garden, a casa dos Celtics, um brasileiro com fome de vencer. Aos 25 anos, com 2,10m, o gaúcho Vítor Faverani, preterido no draft de 2009, ganhou destaque no Valencia e impressionou a comissão técnica encabeçada pelo jovem treinador Brad Stevens quando passou por Massachusetts, em treinos voltados para observação.

"Acho que chamei a atenção deles pela capacidade de dar espetáculo. O norte-americano gosta de show: enterrada, toco, e eu mostrei isso."

Nascido em Porto Alegre, onde morou até os oito anos de idade, quando se mudou para Paulínia (SP), Faverani se fez notar pelo treinador João Marcelo Leite, então responsável pela equipe juvenil da Uniara, de Araraqura, e assistente do técnico Tom Zé no time principal, nos Jogos Abertos de 2003. E não foi pela técnica ou habilidade. "Já no aquecimento notei que havia um grandalhão com muita dificuldade com a bola. Deu para notar que ele era mais novo, e só estava jogando entre os adultos por ser muito grande, mas tinha pouca coordenação motora", recorda Leite.

Quando conversou com o treinador de Paulínia, Leite ficou impressionado ao saber que Faverani tinha apenas 15 anos. "Vi que tinha um diamante bruto a lapidar, por causa da altura dele. Nós só tínhamos o time juvenil nas divisões de base, com meninos de 17 a 19 anos, mas abrimos exceção para ele, e fui conversar com a mãe dele."

A mãe de Faverani topou na hora enviar o garoto para Araraquara, apesar da ajuda de custo bem modesta. "A Uniara pagava R$ 200, mas a mãe ficou aliviada só por ele sair de casa, porque ele comia muito e dava enorme despesa de supermercado", recorda Leite.

"Seu Sílvio", responsável pelo refeitório em Araraquara, constatou logo isso. Faverani fazia três pratos - um apenas com salada, outro com arroz e feijão e o terceiro apenas com carne.

Em um ano, o garoto descoordenado rapidamente aprendeu os fundamentos e foi convocado para a seleção brasileira infanto-juvenil. Mas ainda não estava pronto. Muito cobrado pela comissão técnica, criou um certo trauma com a seleção, segundo Leite. Ele acha que vêm daí recusas posteriores a convocações de Rubén Magnano.

Faverani confirma que dificilmente vai poder disputar a Copa América, em Caracas. "Tenho vontade de ir para a seleção, mas tenho contrato com o Boston e eles vão me querer na pré-temporada. Na seleção a gente precisa estar inteiro, para dar o sangue pela camiseta. Além disso, preciso respeitar a lesão no meu joelho".

O pivô se diz recuperado, mas não quer se sobrecarregar. "Eu forcei muito esse joelho. Havia muita concorrência no Valencia entre os pivôs. Se ficasse sem treinar um dia, poderia perder a posição. Sentia dores, mas tentei aguentar".

No fim do ano que passou em Araraquara, foi indicado a agentes, que logo viabilizaram sua transferência para o Unicaja, de Málaga. Desde então, o gaúcho se enraizou no basquete espanhol, passando por Axarquía, Zagagoza, Bruesa e Murcia.

Agora, terá a grande chance de se consagrar. "Quando a gente é garoto e começa a jogar, o sonho é a NBA. Não é jogar ACB (liga espanhola) ou Euroliga. Vou tentar colocar em prática o trabalho que realizei."

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