Favorito queniano esbanja simpatia no 1º treino em SP

Bicampeão da prova, James Kwambai posou para fotografias e disse ter treinado pouco tempo após 5º lugar em NY

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

O inimigo número 1 dos atletas brasileiros amanhã, na 86.ª edição da corrida de São Silvestre, não leva jeito para vilão. O tom de voz mínimo e a timidez de James Kwambai, atual bicampeão da prova, são compensados com um sorriso permanente, que foi posto à prova ontem, no Ibirapuera. Em seu primeiro treino no Brasil, o queniano de 27 anos deu show de simpatia e mostrou grande forma, mas preferiu a cautela ao falar sobre favoritismo.

Depois de ter desembarcado de forma anônima em São Paulo no dia anterior, Kwambai encarou com bom humor o assédio na manhã de ontem. Cercado por atletas amadores e desconhecidos atrás de um minuto de fama, ele aceitou com sorrisos vestir o cocar e o chapéu de cangaceiro oferecidos por corredores fantasiados. Em seguida, entrou no ritmo de uma música improvisada pelos fãs e pacientemente posou para fotografias.

Mesmo sem entender uma palavra, entrou na festa. "Esta atitude das pessoas se deve ao fato de que sabem que fui vencedor duas vezes. Gosto de estar com as pessoas, estou muito feliz aqui", disse o atleta africano, que participa pela terceira vez da prova no Brasil.

Cautela. Quinto colocado na Maratona de Nova York, em outubro, ele diz que teve pouco tempo para se preparar para a prova brasileira. Por isso, admitiu que dificilmente conseguirá superar o recorde do compatriota Paul Tergat (43min12), que já dura 15 anos. "Não posso dizer o que vai acontecer na sexta (amanhã). Eu poderia melhorar meu tempo e quebrar o recorde se tivesse tido tempo suficiente de treino. Mas tudo é possível." Em 2008, ele venceu pela primeira vez com 44min43. No ano passado, baixou a marca em apenas três segundos (44min40).

Ao lado das também quenianas Alice Timbilili (campeã da São Silvestre em 2007), e Eunice Kirwa, vencedora da Meia Maratona do Rio, Kwambai deu uma volta completa no Parque do Ibirapuera e ainda deu diversos piques, sob o sol de quase meio-dia.

Mesmo acostumado ao calor africano, ele diz que o verão brasileiro e o tempo úmido influenciam. "O tempo aqui é muito, muito quente, não é fácil. Mas sei que tenho de correr a prova do jeito que ela é. No ano passado, por exemplo, estava muito úmido e venci."

Se conquistar pela terceira vez seguida a São Silvestre amanhã, James Kwambai entrará para um seleto grupo. Desde que a corrida se tornou internacional, em 1945, apenas três atletas conseguiram o tri consecutivo na prova, todos eles estrangeiros: o argentino Osvaldo Suarez (1958 e 60), o equatoriano Rolando Vera (que chegou ao tetra em 89) e o queniano Paul Tergat, entre 1998 e 2000.

Aposta na subida. Logo atrás dos quenianos, que ocuparam as três primeiras posições, vieram dois atletas da Colômbia em 2009. Diego Colorado (4.º) e William de Jesus (5.º) voltam à prova este ano para tentar acompanhar outra vez o ritmo dos africanos e, quem sabe, surpreender. "Nossa estratégia é poder resistir ao ritmo deles, que têm melhores marcas, e tentar superar na parte final", diz o técnico colombiano Humberto Ramírez. "Somos fortes na subida da Brigadeiro, pois treinamos na Colômbia, um país montanhoso."

No ano passado, o brasileiro melhor colocado foi o brasiliense Clodoaldo Gomes, que chegou na oitava posição, seguido pelo pernambucano Francisco Barbosa dos Santos. Desde 2007 o Brasil não tem representantes no pódio - naquela edição, Anoé dos Santo Dias terminou a prova na terceira colocação.

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