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Fazendo hora

O São Paulo vê a temporada terminar em setembro e fica à espera de melhores dias em 17

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2016 | 05h00

Técnicos e jogadores vivem a reclamar de falta de tempo para treinar, aprimorar a forma física, ensaiar jogadas, refinar a tática. Pois o São Paulo ganhou dois meses e meio para antecipar-se aos demais clubes e iniciar o planejamento para temporada de 2017. Desde a quinta-feira, com a eliminação na Copa do Brasil, não lhe resta alternativa senão a de cumprir tabela no Brasileiro e pensar em dias melhores. Com o devido cuidado de não se aproximar da zona de descenso nas 12 rodadas que faltam na Série A.

A turma tricolor fracassou mais uma vez, em rotina que se repete com regularidade decepcionante após a conquista do tri nacional em 2006/07/08. De lá para cá, amargou decepções e acrescentou apenas um troféu, o da Sul-Americana de 2012, aquele cuja final nem terminou, porque os argentinos do Tigre se recusaram a voltar a campo para o segundo tempo. 

Neste ano, ficou pelo caminho em tudo. A exceção apareceu na Taça Libertadores, ao avançar para a semifinal em circunstâncias dramáticas. A campanha no torneio continental foi um espasmo de eficiência, e levou choque de realidade nos duelos com o Nacional de Medellín, no penúltimo degrau para o pódio. Os colombianos seguiram em frente, conquistaram o título e disputarão o Mundial no Japão.

O São Paulo é cópia pirata de si próprio, arremedo de equipe. A camisa enverga varal, de tão poderosa, mas hoje é vestida por jogadores comuns. Muito comuns; em diversos casos, abaixo da média. O elenco empobreceu, nem por sombra lembra grupos de qualidade reunidos em passado não tão distante. 

O futebol insosso dos últimos tempos, e por diversas vezes medíocre, reflete a paralisia dos bastidores. Abordei o tema em outras ocasiões, mas se mantém atual. A direção são-paulina se fossilizou, a agremiação regrediu a partir da época em que mudou estatutos e permitiu reeleições de Juvenal Juvêncio (que repouse em paz). O clube dormiu nas glórias imensas. Ao acordar, notou que rivais tradicionais como Palmeiras, Santos e Corinthians avançaram... e lá ficou a marcar passo.

A eliminação para o Juventude, hoje na Série C, é capítulo humilhante e retrato do apequenamento do São Paulo. O torcedor não pode engolir explicações retóricas, de que há evolução, entrega, boas perspectivas. Em quê? Para quando? Só se for para 2017 mesmo, porque por ora não há mais o que almejar, a não ser evitar o rebaixamento.

Ricardo Gomes é profissional decente, pessoa do bem e que atraiu vibrações positivas no período em que lutou pela vida. Um vencedor, ao superar grave problema de saúde e retomar a carreira. Teve regresso promissor, na oportunidade que o Botafogo lhe ofereceu, e topou o desafio de nova aventura no Morumbi. Pode encher-se de louros, mais adiante, mas agora não cola o discurso do progresso. O São Paulo é confuso – por carência de craques e por decisões do treinador também. 

É preciso colocar o dedo na ferida. Às vezes soa heresia desnudar a situação, como se o São Paulo ostentasse intacta a couraça de eficiência, transparência e pujança. Enquanto a cartolagem e torcedores tiveram esse tipo de presunção, nada mudará. Está na hora de chacoalhada.

E neste domingo vem desafio tenso, na visita ao Vitória, 29 pontos, na corda-bamba e a flertar com a Série B. O Brasileiro do São Paulo (34) é com a turma da parte de baixo.

Legado Olímpico. Em 2009, quando o Brasil ganhou o direito de organizar os Jogos de 2016, escrevi neste espaço que só mereceríamos tal evento no dia em que o esporte fosse sinônimo de complemento de educação e integração social. Bati na tecla o tempo todo, até durante a Olimpíada, e critiquei postura oficial – de COB e governo – de medir o sucesso pelas medalhas conquistadas e não pela disseminação do gosto pelo esporte. Infelizmente, não estava errado. A confirmar está a decisão federal de excluir Educação Física como disciplina obrigatória no ensino médio. E assim forjaremos campeões?!

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