FBVM: Velejadores cobram transparência

No Brasil, o velejador que pensa em Jogos Olímpicos e precisa, ao menos, do apoio da Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM) tem perspectivas sombrias. E é só por meio do sistema que vincula atletas a entidades que se afunilam no Comitê Olímpico Internacional que se pode chegar ao sonho olímpico. Esse caminho está truncado, reclamam os velejadores brasileiros, muitos deles premiadíssimos. Afirmam que há dinheiro em caixa e cobram trabalho e transparência da FBVM.Quase um quarto de século e a situação segue igual. A constatação é do bicampeão olímpico Marcelo Ferreira, proeiro de Torben Grael na classe Star. "Em 1982, como campeão brasileiro, a gente ganhava uma passagem aérea para fora do País. Em 2005 também será assim." Por quê? A FBVM tem dinheiro. Ou deveria ter, com o repasse das verbas da Lei Agnelo/Piva. Mas está inoperante, critica boa parte dos velejadores que esteve em Salvador para a Match Race Brasil, competição de vela oceânica, modalidade que atrai bons patrocinadores.Os iatistas reivindicam transparência na prestação de contas, que deveria ser pública. As dúvidas são muitas: as contas da FBVM foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União? A Confederação de Tênis, por exemplo, não teve a aprovação e o dinheiro da Lei Piva foi retido a partir de agosto passado. Outra dúvida: por que a Petrobrás desistiu de patrocinar a equipe olímpica permanente? "Sem motivo aparente", disse Walcles Osório, presidente da FBVM, em janeiro, na apresentação do Comitê Olímpico Brasileiro da previsão de dinheiro para 2005 a partir do repasse da Lei Piva. Os velejadores da seleção permanente (eram dois de cada classe em 2003, reduzidos a seis em 2004) dizem não ter recebido da Petrobrás, via Federação, os salários de setembro e outubro. A Petrobrás afirma que pagou, via FBVM.Outro motivo de grita: a ida de Sílvio de Abreu, que era da Confederação de Judô na era Mamede, às competições européias preparatórias para a Olimpíada e sua presença na delegação em Atenas, na vaga que poderia ser de um técnico. Outro motivo de reclamação é o repasse de 5% dos patrocínios pessoais à Federação para fins administrativos - só assim recebem certificados da FBVM, espécie de autorização, para disputar campeonatos com os tais patrocínios.O que os velejadores querem? Respeito para o esporte que mais medalhas olímpicas conquistou para o País (14), frisa Marcelo Ferreira. E projetos decentes, que dêem retorno, apresentados a patrocinadores. Em resumo, trabalho e transparência de contas. Falta dinheiro, diz a FBVM? "A saída da Petrobrás não tem nada a ver com isso. O dinheiro era dos velejadores."O caminho parece mais definido para as regatas oceânicas. Lá estão patrocinadores fortes, por trás de eventos bem organizados, que integram ídolos e investidores. É onde está o dinheiro para quem quer viver do esporte. Nos torneios "independentes", a vela também tem a chance de fonte de renda mais garantida - e transparente - para os atletas. Na Match Race Brasil, por exemplo, são cerca de 80 velejadores na água a cada regata de barco contra barco. "É preciso formatar produtos interessantes para o patrocinador", dá a receita Enio Ribeiro, diretor da Match Race Brasil. Mas até para seu evento Enio precisa da validação técnica da FBVM.

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