Febre das figurinhas seduz até ladrões

Cinco homens armados invadem distribuidora do ABC e levam 675 mil [br]cromos, que equivalem a mais de R$ 100 mil

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

A corrida para preencher o álbum oficial da Copa do Mundo, que se tornou febre entre adultos e crianças, levou ladrões a investirem em uma nova fonte de lucro: roubar figurinhas. Na quarta-feira, cinco homens armados levaram 135 caixas de cromos da distribuidora Treelog, em Santo André, no ABC. Isso equivale a 135 mil pacotes a menos no mercado. Ninguém foi preso. A polícia acredita que os cromos serão vendidos no mercado clandestino a preços bem acima da média.

A invasão ao posto da empresa Treelog, na Avenida Artur de Queirós, no bairro da Casa Branca, começou às 23h30 e durou meia-hora. O grupo rendeu 30 funcionários, entre eles um conferente, e exigiu as caixas contendo, ao todo, 675 mil figurinhas. Como o valor de cada pacote é de R$ 0,75, o prejuízo passa de R$ 100 mil.

O funcionário Vanio dos Santos, de 61 anos, foi o primeiro a ser pego pelos criminosos. A vítima contou que conseguiu identificar apenas um assaltante. O suspeito seria magro, com altura de 1,70 metro, de cor parda e ficou com um revólver apontado em sua direção. Além dos pacotes, o bando levou um celular e um rádio comunicador da empresa de distribuição.

Alerta máximo. Ricardo Carmo, presidente do Sindicato dos Donos de Bancas de Jornal de São Paulo, afirma que o sucesso do álbum e das figurinhas foi tão grande que despertou não só a atenção dos colecionadores como também dos bandidos. "Virou uma mina de ouro", define. Segundo Carmo, antes mesmo do assalto, os proprietários das bancas estavam sendo alertados a não deixar figurinhas na bancas. "Estamos orientando jornaleiros a levar o estoque para a casa para que não exista prejuízo para o cliente". Na opinião de Carmo, as bancas podem ser os próximos alvos. Para ele, o roubo dos cromos era um risco previsto pela categoria. Carmo explica que o lote roubado era suficiente para abastecer 50 bancas.

A Panini, Multinacional responsável pela produção e distribuição dos álbuns e das figurinhas, não se manifestou sobre o caso. A Panini não tem divulgado números de vendas ou de distribuição. A Treelog apenas confirmou o crime e não comentou sobre a questão da segurança no local. E é justamente isso que intriga o delegado Lupércio Antônio Dimov, titular do 1.º Distrito Policial de Santo André. "Nossos investigadores constaram que as câmeras estavam em manutenção, o local é muito aberto e não tem segurança. Hoje, o titular deve fazer uma acareação entre dois funcionários.

De acordo com Dimov, a empresa estaria sendo vendida para um grupo de comunicação. "Se alguém tiver informações sobre as figurinhas, pode ligar para o nosso setor de investigações (número 4438-1179)."

Isso porque o delegado acredita que os colecionadores estão tão aficionados que podem pagar até quatro vezes mais do que o valor real dos cromos. Ele não descarta a hipótese de o produto começar a ser vendido na internet e entre grupos da cidade de São Paulo.

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