Christian Thompson/AP Photo
Christian Thompson/AP Photo

Federação da Nigéria suspende membro que recebeu dinheiro de repórter disfarçado

Jornalista Anas Aremeyaw Anas iniciou escândalo de corrupção no futebol do país que atingiu até Kwesi Nyantakyi, membro do Conselho da Fifa

Estadão Conteúdo

05 Setembro 2018 | 09h40

A Federação de Futebol da Nigéria suspendeu nesta quarta-feira um dos seus membros, por ter recebido dinheiro de um repórter disfarçado. Salisu Yusuf, que ocupa função de auxiliar na comissão técnica, foi suspenso por um ano por ter aceitado dinheiro para escalar jogador na seleção nigeriana, que é comandada pelo técnico Gernot Rohr.

Yusuf recebeu US$ 1 mil (cerca de R$ 4,1 mil) de um repórter que se apresentou a ele como um agente de jogadores. O jornalista ofereceu o dinheiro em troca da promessa do auxiliar em convocar certos atletas para a equipe para um torneio disputado em Marrocos, no início deste ano, quando Yusuf comandava o time sozinho. A cena foi filmada.

Segundo os jornalistas responsáveis pelo vídeo, o encontro aconteceu em setembro do ano passado. Na ocasião, eles pediram as escalações do defensor Osas Okoro e do meia Rabiu Ali. Na filmagem, Yusuf aparece prometendo a convocação da dupla após receber o dinheiro. Na sequência, ele aperta as mãos do repórter disfarçado de agente.

Os dois jogadores acabaram sendo convocados de fato, logo na sequência. Mas a federação garante que não há evidência de que o valor pago pelo "agente" tenha influenciado nas convocações. Segundo a entidade, os dois já seriam chamados normalmente para compor a seleção.

Apesar disso, o Comitê de Ética afirmou nesta quarta-feira que Yusuf tomou "uma decisão consciente e deliberada" ao aceitar o dinheiro, o que é proibido pela entidade. E, por isso, tomou a decisão de suspendê-lo. Além disso, a federação impôs multa de US$ 5 mil (R$ 20 mil).

Yusuf é o mais recente dirigente africano a ser flagrado recebendo propina em vídeo produzido pelo repórter Anas Aremeyaw Anas, de Gana, e sua equipe. Ele já havia exposto treinadores, dirigentes e árbitros nos últimos meses numa série de vídeos que geraram forte repercussão no mundo do futebol africano.

O maior alvo atingido pelo jornalista foi o seu compatriota Kwesi Nyantakyi, membro do Conselho da Fifa. Flagrado ao receber a soma de US$ 65 mil (R$ 270 mil) de repórter disfarçado. Com o vídeo divulgado, ele precisou renunciar ao cargo na Fifa, à vice-presidência da Confederação Africana de Futebol e à presidência da Federação de Futebol de Gana.

 

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