Dita Alangkara/AP
Dita Alangkara/AP

Federação de Ginástica terá linha telefônica para casos de abuso sexual

Entidade internacional cria canal de comunicação e espera receber mil denúncias apenas no primeiro ano

O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2018 | 15h58

A Federação Internacional de Ginástica (FIG) vai criar uma linha telefônica para receber denúncias de assédio sexual. A estimativa da entidade é receber mil denúncias apenas no primeiro ano. A revelação foi feita pelo presidente da entidade, Morinari Watanabe durante os Jogos Asiáticos nesta quinta-feira. "Um atleta ou familiar poderá informar os casos". "Acreditamos que mil pessoas devem denunciar casos no primeiro. No segundo ano, acreditamos que as denúncias podem cair pela metade e, assim, sucessivamente", afirmou o dirigente.

Com a criação da linha telefônica, a entidade pretende coibir o assédio na ginástica. O plano faz parte de um plano global da federação de combate ao assédio sexual que deverá contar com a criação de uma fundação de ética. O novo órgão deve ser aprovado formalmente pelas federações nacionais no próximo congresso da entidade, que será realizado em Baku, nos dias 2 e 3 de dezembro. 

A iniciativa da FIG é uma reação após a condenação de Larry Nassar, antigo médico da seleção norte-americana, culpado de abusar sexualmente de mais de 265 vítimas, entre elas perto de 160 ginastas. Outro episódio que influenciou a medida da entidade envolveu o brasileiro Fernando de Carvalho Lopes, antigo treinador da seleção brasileira, acusado por mais de 40 vítimas. 

O escândalo de abusos sexuais na ginástica norte-americana é considerado o maior escândalo conhecido da história do esporte em função do númeor de vítimas. Entre elas estão as campeãs olímpicas como Simone Biles e Gabby Douglas. Lassar foi o médico da equipe de ginástica artística dos EUA e da Universidade do Estado de Michigan por cerca de duas décadas. Nessa última, cuidava não apenas de ginastas, mas também de outras atletas, como dançarinas e patinadoras. As denúncias também são importantes porque lançam luz sobre o papel de instituições em casos de assédio sexual. A universidade e o USA Gymnastics, que funciona como a federação de ginástica, também são acusados em alguns processos.

No Brasil, o ex-treinador Fernando de Carvalho Lopes é acusado de abusar de 40 atletas e ex-atletas. O escândalo, revelado pela TV Globo, também colocou em xeque o atual coordenador da ginástica brasileira, o treinador Marcos Goto, um dos nomes mais vitoriosos do esporte na história, que foi acusado por ex-atletas de fazer brincadeira com o caso. Os casos estão sendo investigados sob segredo de justiça. 

 

 

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