Federações apostam na saída de Ricardo Teixeira

Reunidos no Rio desde ontem, presidentes das entidades estaduais deixam aberto a renúncia ou licença do dirigente

LEONARDO MAIA, SÍLVIO BARSETTI, TIAGO ROGERO, RIO , O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h06

Presidentes de federações apostam que Ricardo Teixeira vai anunciar hoje seu afastamento da CBF, durante assembleia geral extraordinária marcada para o início da tarde, na sede da entidade, no Rio. A dúvida é se o mandatário maior do futebol brasileiro, no poder desde 1989, vai se licenciar ou optar pela renúncia.

"Sou a favor da legalidade, o que não vou aceitar é golpe. O problema está na intromissão do Marco Polo Del Nero (presidente da federação paulista) no processo", disse o presidente da federação catarinense, Delfim Peixoto Filho, com quem Ricardo Teixeira costuma manter contato permanente.

Na eventualidade de renúncia, assumiria, de acordo com o estatuto, o vice-presidente mais velho, José Maria Marin, de 79 anos, ex-governador de São Paulo e apadrinhado por Del Nero. Se o presidente da CBF pedir licença, no entanto, pode escolher um dos cinco vices. "Eu acredito, sim, que vamos ouvir dele um pedido de licença", disse Delfim. Para ele, Teixeira deve pedir licença de 180 dias, renovável por mais 180.

Mas, para o gaúcho Francisco Noveletto Neto, o presidente entrega o cargo hoje. "Acho que ele sai. Foi o que disse ao tio, Marco Antônio Teixeira, quando o demitiu (em 3 de fevereiro)", disse. "O presidente está cansado, quer viver um pouco, enjoou. A família pesou bastante na decisão", afirmou.

Teixeira reservou para hoje um "presentinho" para cada dirigente das 27 federações. Isso foi interpretado por alguns como um gesto de despedida.

Caso Teixeira saia, os presidentes estão divididos. Há os que defendem que Marin assuma e cumpra o mandato até 2015; os que apoiam a posse do paulista e a convocação imediata de novas eleições e, entre eles, os que já declaram apoio a uma possível candidatura de Del Nero, como o presidente da federação maranhense, Antonio Américo Gonçalves, outro que também acredita na saída de Teixeira. "Para mim, ele vai pedir licença do cargo", disse.

Ontem, prova da influência dos paulistas atualmente, Del Nero e Marin recepcionaram todos os dirigentes na entrada do Hotel Transamérica, na Barra, onde estão hospedados, com as despesas pagas pela CBF.

Há, também, dirigentes que desejam outra candidatura que não a de Del Nero, que poderia vir do Rio, com Rubens Lopes, ou do Rio Grande do Sul, com Noveletto. Outro ponto divergente envolve o mandato atual de Teixeira, de oito anos, e não dos habituais quatro. Para alguns presidentes, se Teixeira renunciar, é como se um novo mandato tivesse início, e por isso deveria haver novo pleito.

Mesmo entre os que são contra um mandato de Marin, a "torcida" pela permanência de Teixeira é discurso padrão. Menos para Miguel Alfredo, interventor na federação do Distrito Federal desde maio do ano passado. "Para mim, tanto faz. Só quero que haja uma preocupação maior em fortalecer as federações menos capazes", disse.

Ontem, 11 presidentes estiveram na CBF. Teixeira recebeu quase todos individualmente, mas saiu no meio da tarde para uma consulta médica. Hoje, Teixeira vai falar com cada um deles antes da assembleia.

A pauta prevê exposição de Teixeira sobre "assuntos de interesse" da CBF e federações, além de discussão sobre "reforma parcial" no estatuto. Entre as mudanças, a proibição de que CBF e federações possam contribuir financeiramente com campanhas políticas.

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