Kai Försterling/EFE
Kai Försterling/EFE

Federações de surfe vão pedir o afastamento do presidente da CBSurf

Confederação vive disputa política entre dirigentes e uma assembleia geral extraordinária está convocada para sexta

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 04h33

Algumas federações estaduais de surfe se reuniram na última semana e decidiram pedir o afastamento do presidente da confederação, Adalvo Argolo. Querem novas eleições na entidade. Uma assembleia geral extraordinária foi convocada para sexta-feira, no Rio, com representantes de cada Estado filiado e com CNPJ ativo. “O que estamos alegando é falta de capacidade administrativa e falta de transparência”, disse Geraldo Cavalcanti, ex-presidente da CBSurf e ligado à federação de Pernambuco.

Argolo diz que o grupo não pode convocar uma assembleia e que tudo não passa de articulação de seu vice-presidente, Guilherme Pollastri Gomes, para chegar ao poder. Ele avisa que pretende convocar uma assembleia ordinária neste primeiro trimestre e publicou nota no site da entidade dizendo que a assembleia marcada para amanhã no Rio não vai ocorrer.

“O surfe brasileiro precisa se unir. A expectativa da comunidade é muito grande e a CBSurf conta com a contribuição de todos que desejam ajudar. O cargo de presidente demanda muitas responsabilidades e eu aprendi bastante durante os últimos meses. Eu não tenho a intenção de centralizar o poder. Nem de me perpetuar na presidência. Mas vou defender o direito de cumprir o mandato para o qual fui eleito”, explicou Argolo, em comunicado enviado a dirigentes e atletas.

Na quarta-feira, ele visitou a sede do COB (Comitê Olímpico do Brasil), que está acompanhando de longe essa disputa política até porque a CBSurf é uma entidade independente. Ele garante estar aberto ao diálogo, mas o grupo que espera mudanças no comando da entidade já não vê espaço para reconciliação.

“Não é algo pessoal, é de instituições. Todo mundo está triste com isso. O primeiro passo foi reunir as federações e alguns atletas, e o consenso era esse: o clima não está favorável para a permanência da atual diretoria”, comentou Geraldinho, que garante não querer ser presidente, mas pode ajudar a compor uma futura diretoria.

Guilherme Pollastri Gomes, atual vice de Argolo, revelou ter intenção de assumir o comando da entidade em caso de novas eleições. “Entrei para fazer uma administração digna, que o surfe brasileiro merece. Por causa das divergências com ele, fui alijado do processo. As coisas que ele fez na confederação não têm desculpa. Ele já atrapalhou e muito. Por que, por exemplo, não temos patrocínio? É por falta de transparência”, acusa.

A assembleia extraordinária de sexta-feira contará com as federações estaduais. “O estatuto prevê o afastamento provisório do presidente até que responda as acusações contra ele, que são gravíssimas, de não apresentação das contas e gestão temerária. Aí ele tem 15 dias para se defender. Depois disso chamamos nova assembleia para analisar as respostas e, caso necessário, será convocada nova eleição”, explicou Pollastri.

Para os surfistas de alto rendimento, a polêmica que está instaurada em uma modalidade que vai estrear nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, com ótimas chances de garantir medalha ao Brasil, não deve afetar o desempenho da elite. Mas pensam que pode atrapalhar o surgimento de novos atletas, que dependem da confederação para organização de campeonatos e custeio de viagens.

“Acho que os responsáveis deveriam ter mais respeito com o surfe brasileiro, uma vez que hoje somos os melhores do mundo. O que vem ocorrendo com a CBSurf é uma pouca vergonha, e isso só vai atrapalhar a base, fazendo com que nossos atletas não consigam viajar, se aprimorar e melhorar o desempenho em outros tipos de ondas”, lamentou o surfista Filipe Toledo.

“Enfim, creio que o melhor caminho é abrir novas eleições, com pessoas interessadas em fazer o surfe brasileiro crescer, dando assim melhores condições ao surfe amador do País. Toda vez eu me pergunto: o que vai acontecer com as próximas gerações se os responsáveis só têm outro tipo de interesse que não é ver o esporte crescer?”

 

 

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