Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Federações esportivas têm democracia 'frágil' e pouca transparência no Brasil

Entidade europeia faz levantamento de seis confederações nacionais e reprova procedimentos; CBF se recusa a participar

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2018 | 05h00

As federações esportivas brasileiras são pouco transparentes, têm processos eleitorais frágeis, baixo controle de suas contas e falta de estratégia no que se refere a aspectos sociais. Esse é o resultado de pesquisa realizada pela entidade dinamarquesa Play the Game sobre o esporte brasileiro. 

A entidade é ligada ao Instituto Dinamarquês para o Estudo do Esporte. A gestão do esporte no País seria mais opaca do que em Montenegro e Romênia e muito distante dos níveis de Holanda, Noruega ou Dinamarca. 

O grupo avaliou uma amostra de seis das 56 federações esportivas nacionais: a Confederação Brasileira de Atletismo, Confederação Brasileira de Handebol, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Confederação Brasileira de Tênis, Confederação Brasileira de Triatlon e a Confederação Brasileira de Vela. A CBF foi convidada a participar do estudo, mas se recusou.

Numa pontuação de zero a cem, as federações nacionais ficaram com apenas 32%, índice considerado “fraco”. Os melhores resultados vieram de áreas em que existem algum tipo de regulamentação estatal, como a exigência de participação de atletas, limites de mandatos e cortes. “Entretanto, ainda é uma baixa taxa de adoção de práticas de boa governança em assuntos que não estão na legislação brasileira e dependem de atos voluntários”, diz o estudo. 

No que se refere à transparência, a pontuação das seis entidades avaliadas não passou de 36%. Poucas publicam documentos que mostram suas regulações internas e nenhuma delas torna público as atas de reuniões. Também não publicam estratégias para reduzir risco de conflito de interesse, salários e controle de riscos. 

A democracia é qualificada como “fraca” nessas entidades, com pontuação de 33%. Ainda que os processos eleitorais sejam bem definidos, apenas 16% delas têm regras que exigem que os conselhos internos se reúnam pelo menos cinco vezes ao ano e procedimentos para garantir uma paridade entre homens e mulheres como funcionários. No que se refere ao controle de contas e de comportamento ético, a pontuação foi de 40%. Se existe preocupação em aprovar as contas, não há interesse em revelar como foram os processos decisórios.

OUTRO LADO

A CBF não explicou o motivo pelo qual não aceitou participar da pesquisa e indicou que “é referência na implantação do programa de compliance”. Diz que há dois anos iniciou, com a consultoria Ernst & Young, trabalho para “atingir um nível ideal de governança a partir de seus programas de governança e conformidade”.

A confederação de vela indicou que “em matéria de transparência e governança, houve um avanço visível nos últimos anos, não apenas da CBVela como das confederações de esportes olímpicos em geral”.

A confederação de handebol informou, quarta-feira, não ter recebido oficialmente o estudo, do qual tomou conhecimento por meio da imprensa. “Tendo em vista ser um vasto material, com 264 páginas, não houve tempo hábil para qualquer posicionamento quanto às informações nele mencionadas.” No Atletismo, após solicitar o estudo, a entidade não mais respondeu.

 

 

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