Federações estudam sucessão na CBF

Com a possibilidade de Ricardo Teixeira deixar a entidade, dirigentes conversam sobre nome ideal para o cargo e Weber Magalhães, de Brasília, é cotado

SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h04

Os indícios de que Ricardo Teixeira deve deixar a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até amanhã - pediria licença ou renunciaria - deflagrou um movimento de federações estaduais em busca de um nome que pudesse substituí-lo. Há em curso uma articulação de algumas dessas entidades para que o atual vice-presidente da CBF da Região Centro-Oeste, Weber Magalhães, ocupe o cargo se Teixeira realmente deixar a confederação.

Primeiro na linha sucessória, por ser o mais velho entre os cinco vice-presidentes (79 anos), José Maria Marin, vice da Região Sudeste, sofre rejeição das federações. O problema teria sido resolvido ontem com a indicação de Marin para o conselho do COL (Comitê Organizador Local) da Copa de 2014. O ex-jogador Bebeto também foi nomeado para o COL. Magalhães, de 53 anos, é o terceiro vice por idade. Depois de Marin, o mais velho é Fernando Sarney, 57 anos, vice da Região Norte.

Weber Magalhães presidiu a Federação Brasiliense de Futebol de 1996 a 2004 e chefiou a delegação brasileira na Copa de 2002. É homem de confiança de Teixeira, para quem trabalhou como assessor parlamentar entre 1989 e 1992 em Brasília.

Ouvido ontem à noite pelo Estado, durante a festa de aniversário de seu pai, que completou 91 anos, Magalhães se disse triste com a possibilidade de Teixeira deixar a presidência da CBF. "Ele é um dirigente vitorioso, conseguiu dois Mundiais para o Brasil, e sempre sonhou com uma nova Copa no País."

Cauteloso, contou que as federações receberam com surpresa a demissão de Marco Antonio Teixeira da secretaria-geral da CBF. Marco Antonio é tio de Ricardo Teixeira e nas últimas duas décadas era o elo da entidade com as federações estaduais.

Para chegar ao cargo, Weber Magalhães - técnico legislativo do Senado Federal e formado em educação física - dependeria da convocação de uma assembleia-geral, o que pode ser feito pela maioria das 27 federações a qualquer momento. "Tenho grande amizade com os presidentes de federação. Sempre os recebi muito bem aqui em Brasília", disse. "O futebol está na minha veia há mais de três décadas", acrescentou Weber.

A resistência ao nome de José Marin teria conotação política movida por uma disposição de não deixar a CBF sob comando de dirigentes paulistas.

"O Andres Sanchez (diretor de seleções) é voz forte na CBF, o Marco Polo del Nero (presidente da Federação Paulista) está associado ao Marin na possível empreitada. E eles já têm o Reinaldo Carneiro Bastos (vice da Federação Paulista) como a pessoa que toca a Série B do Brasileiro. É preciso brecar isso", disse ao Estado o presidente de uma dessas federações, que esteve no Rio. Ele pediu anonimato.

Desgaste. Teixeira está desgastado com suspeitas que envolvem seu nome. Ontem, o jornal Folha de S. Paulo publicou matéria sugerindo que o dirigente está ligado à empresa Ailanto Marketing, investigada por suspeita de superfaturamento na organização do amistoso da seleção com Portugal, em novembro de 2008, em Brasília - recebeu R$ 9 milhões.

A ligação se daria pelo fato de a Ailanto - empresa do presidente do Barcelona, Sandro Rosell, ex-executivo da Nike e amigo de Teixeira - ter sido dona da VSV, cujo endereço ficava na fazenda de Teixeira, em Barra do Piraí (RJ).

A CBF, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o endereço foi arrendado em 2008 para a Ailanto, a pedido de Rosell. O jogo Brasil x Portugal fazia parte da cota da Ambev, patrocinadora da seleção, que negociou diretamente com a Ailanto e recebeu da empresa US$ 630 mil em 13 de janeiro de 2009.

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