Federer não teve moleza diante de ''Chico Bento''

Tiago Alves, que carrega o apelido do personagem de Maurício de Souza por causa de seu sotaque caipira, perdeu, mas jogou bem diante do suíço

Chiquinho Leite Moreira, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

30 de agosto de 2008 | 00h00

Conhecido nos bastidores pelo apelido de "Chico Bento" por causa de seu forte sotaque caipira - de São José do Rio Preto, interior de São Paulo -, Tiago Alves escreveu ontem, com letras maiúsculas, o capítulo mais importante de sua carreira.Não se intimidou ante um dos maiores tenistas da história, Roger Federer, nem mesmo com a eletrizante atmosfera do grande palco do tênis mundial, o Estádio Arthur Ashe, com capacidade para 23 mil pessoas. Perdeu o jogo, mas com dignidade e personalidade. Caiu na segunda rodada do US Open, diante do tenista suíço, hoje número 2 do ranking, com parciais de 6/3, 7/5 e 6/4. Fez bonito. "Estou feliz da maneira como joguei", disse Alves. "Tudo saiu como o planejado".Para Tiago Alves, tenista de ranking intermediário, nº 137, e que pode chegar a 115 com a campanha no US Open, a experiência foi inesquecível. A partir de agora espera contar com maior apoio e credibilidade no Brasil.Jogador controvertido, por sempre dizer o que pensa, nunca teve muita ajuda. Para ele, este US Open foi como ganhar na loteria. "Meu plano é continuar com minha rotina. Mas espero ter agora maior reconhecimento e, de repente, um patrocínio", afirmou. "Viajei para os Estados Unidos com passagem paga pela CBT (Confederação Brasileira de Tênis), mas continuo tendo de investir na minha carreira." Graças a seu esforço, Alves saiu de Nova York no lucro. Acumulou um prêmio de US$ 38 mil, sendo US$ 30 mil pela segunda rodada da chave principal do US Open e outros US$ 8 mil pelas três vitórias no qualifying. Na véspera de seu jogo contra Federer, ao ser anunciado que seria no Estádio Arthur Ashe, ainda recebeu a visita de um agente com proposta para jogar com uma publicidade na manga, garantindo um rendimento extra. "Fiz um bom acordo", contou sem revelar a cifra.ASTRO POR UM DIA O fato de enfrentar Federer no Arthur Ashe fez Tiago Alves viver um dia de astro em Nova York. Logo cedo participou de uma entrevista para a rede de TV americana USA. No começo, tropeçou um pouco no inglês, mas depois o bate-papo terminou em gostosas risadas quando o brasileiro negou-se a responder qual seria sua estratégia para enfrentar Federer e qual é o seu melhor golpe. "É segredo", declarou Alves em tom de ironia, afinal, só mesmo um milagre poderia fazê-lo derrubar um dos maiores do mundo.O comportamento de Alves em quadra também foi elogiável. Jogou de igual para igual e ainda ?tirou uma casquinha? de Federer. No match point, quando os dois jogadores já se encaminhavam para os cumprimentos na rede, Alves chamou pela revisão da marcação do ponto. Por mais dez segundos esteve em quadra, até o telão mostrar que a bola do suíço tinha sido boa. "Queria curtir mais um pouquinho aquele momento", disse. "Não foi nada premeditado, mas como a bola foi muito próxima da linha resolvi pedir a revisão."Ao final do dia, "Chico Bento" chegou a ser chamado de sósia do artista Colin Farrel, com quem realmente tem certa semelhança física. Alves não só jogou bem diante de Federer, como parece ter ficado mais bonito aos olhos internacionais.O dia no US Open foi bom também para a dupla brasileira Marcelo Melo e André Sá. Eles bateram Jurgen Melzer e Rainer Schuettler por 2 sets a 0, com 6/3 e 7/6 (0), e avançaram às oitavas de final. Melo e Sá ocupam a 7ª posição no ranking de melhores do ano e buscam uma das oito vagas para o Masters de Xangai, em novembro. Pelo torneio feminino, depois da eliminação da nº 1 do mundo, Ana Ivanovic, a também sérvia Jelena Jankovic sofreu muito para superar a chinesa Zi Zhang por 2 sets a 0, parciais de 7/5 e 7/5.

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