Felipão deu as cartas no clássico

Palmeiras vira o jogo contra o Corinthians após mudança tática do seu treinador

Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

PRESIDENTE PRUDENTE

Clássicos são decididos em detalhes, e Felipão, que conhece na palma das mãos seus jogadores, sabe disso muito bem. O Palmeiras derrotou o Corinthians por 2 a 1, de virada, com as ideias de seu treinador, que assistia ao jogo das cabines do estádio da quente e abafada Presidente Prudente. Ao colocar Fernandão, um atacante grandalhão que mal chegou ao clube - fez ontem sua estreia - , o treinador palmeirense percebeu que poderia vencer o duelo desarrumando o miolo da zaga corintiana.

Deu certo e o Palmeiras, mandante do clássico, aplicou uma virada importante e emblemática sobre seu maior rival. Triunfo que reacende a esperança do time que vinha de uma eliminação e estava com o moral abalado. Agora, já pode sonhar com objetivos mais ambiciosos. Com 32 pontos, não se desgarra do G-4, meta factível, apesar das limitações do elenco.

A vitória palmeirense também revela - na verdade, confirma - um fato: o declínio do Corinthians. Nunca um título simbólico de campeão do primeiro turno foi tão amargo. Ficou claro que a discussão toda sobre jogar com um ou dois meias é um subterfúgio, uma maneira de esconder a decadência técnica de alguns atletas.

Parecia que, ao colocar em campo o esquema tático "vencedor" das dez primeiras rodadas, o Corinthians voltaria a ser um time arrasador. Não foi. O máximo que conseguiu foi um começo de jogo promissor. Mais graças à atuação individual do atacante Emerson. Ele começou o clássico com todo gás, passando por Gabriel Silva, por Thiago Heleno e mostrando que é um atacante de muita movimentação.

Foi assim até o gol, marcado por ele sem querer aos 18 minutos. Emerson tentou cruzar, Henrique ficou com medo de se colocar na frente na bola, mas acabou enganando Marcos. Antes disso, era o Palmeiras que havia tido as melhores chances de gol, ambas com Kleber.

Eram bem claras as duas propostas de jogo. O Palmeiras queria carregar a bola e Valdivia tentava deixar Kleber na cara de Júlio César, aproveitando os buracos entre Chicão e Leandro Castán. O Corinthians se fechava para dar o bote e sair em disparada para o ataque, mas faltava-lhe um maestro, alguém capaz de deixar Emerson, Liedson ou Jorge Henrique em condição de finalizar.

Minutos após o gol de Emerson veio a parada técnica por causa do calor - termômetros marcavam 39 graus pouco antes de o jogo começar. Felipão, suspenso pelo STJD, passava instruções ao auxiliar Murtosa, que ficou à beira do campo. E pouco depois da parada, Fernandão, que ainda não foi apresentado como jogador, foi para o aquecimento. O atacante entrou aos 33 no lugar do Patrick. Aos 36 saltou na cobrança de escanteio e atrapalhou a marcação corintiana. No lance, Luan ficou com o rebote e estufou as redes: 1 a 1.

Estreia. O segundo tempo estava só começando quando, aos seis, Marcos Assunção viu Fernandão dentro da área e fez o lançamento. O estreante se desvencilhou da zaga, matou no peito e não desperdiçou: 2 a 1. O Corinthians tentou reagir, mas de nada adiantaram as substituições de Tite, que enfrentará ainda mais pressão nos próximos jogos.

No fim da partida, Felipão desceu as escadas que o levavam aos vestiários. Estava cercado por seguranças, mas caminhou calmamente, ao lado dos torcedores, que lhe davam tapas nas cotas. Foi o jogo de Felipão, que ontem falou pouco, muito pouco, mas fez muito.

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