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Felipão e a calma que chega com a maturidade

Não cruzo com Felipão a todo momento. Minhas funções jornalísticas já há algum tempo me mantêm afastado de personagens importantes do esporte mais do que gostaria. O que não impede de acompanhá-los ininterruptamente, pelas entrevistas e aparições na tevê e internet, pelo desenvolvimento do trabalho deles.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2014 | 02h06

O técnico da seleção está nesse bloco. Os encontros, nos últimos anos, foram esporádicos, porém produtivos, seja pelo tom da conversa, seja pela reciprocidade no respeito (mesmo com divergências de ideias). Nos eventuais bate-papos, no entanto, noto mudança significativa em Felipão. Há muito diminuíram as reações bruscas e intempestivas que revelavam contrariedade com perguntas e questionamentos incisivos. Sim, continua a fazer caretas e a dar respostas curtas e evasivas, mas longe das caneladas de zagueiro gaúcho que distribuía com certa facilidade.

A mudança é boa. Não para o entrevistador, que jornalista não pode ter medo de cara feia nem tomar como pessoais eventuais malcriações do lado de lá. O benefício é para o próprio Felipão e para os grupos que comanda. Com autocontrole e conhecimento interior maiores, o chefe tende a influenciar a tropa pra cima. (Dunga, com a tática do mau humor e da guerra contra todos, desgastou psicologicamente o elenco de 2010....)

Scolari curtiu duas experiências em Mundiais - em 2002 foi campeão com a seleção e em 2006 terminou em quarto com Portugal. A vivência vitoriosa lhe trouxe maturidade e, com ela, mais descontração e paciência. Qualidades que serão imprescindíveis no torneio a ser disputado daqui a pouco em nossa casa.

Como responsável pelo time anfitrião, acumula também papel diplomático a exercer neste período especial. Felipão tem como tarefa primordial conduzir bem a equipe, quem sabe a levantar a taça pela sexta vez. E carrega a missão adicional de ser um dos embaixadores da competição. É do pacote de atribuições.

O Felipão com o qual topei na visita ao Estado reforçou a impressão de consciência do desafio com que se defronta e da possibilidade de superá-lo. Com visão crítica de facilidades e percalços no caminho. Não foi por acaso que abordou, sem enrolar, temas que passearam entre convocação, rotina de hoje em diante, manifestações pelo país, esquema tático, expectativa pessoal, crenças e promessas. Bem, você pôde conferir tudo nas páginas anteriores.

Além do astral, me chamou a atenção o fato de que Felipão pretende colocar o Brasil sempre como protagonista nos jogos - o que soa como óbvio, mas é acima de tudo sensato e necessário. Como dona da casa, a seleção não pode intimidar-se. Ao menor sinal de debilidade, adversários tinhosos aproveitarão para dar o bote.

Por isso, o equilíbrio precisa começar por Felipão, o gestor. Que saiba manter o rumo nas situações agudas que virão. Claro, sem perder a essência de quem realmente é.

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