Felipão instaura nova 'lei do silêncio'

Após declarações de Kleber, técnico volta a impedir que elenco fale com a imprensa. Ato desagradou à diretoria

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h06

A crise do Palmeiras parece não ter fim. E o ambiente no clube, que já estava ruim, só piora com o passar dos dias. Ontem, na volta aos treinos, o clima era de desolação, com poucas brincadeiras entre os jogadores. E com uma nova determinação, que partiu de Luiz Felipe Scolari: todos do grupo, incluindo ele, estão proibidos de dar entrevista até sábado, data do confronto contra o lanterna América-MG, no Canindé. Após a partida, tudo voltará ao normal.

A "lei do silêncio" atingiu também Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo. Os dois foram até a Academia ontem, conversaram por 20 minutos com Felipão e Walter Munhoz, vice-presidente financeiro, e foram embora sem dar entrevistas.

Bastante irritado, Frizzo chegou a falar rapidamente. "Essa é a melhor decisão, é hora da reflexão. Quando vocês precisam refletir, vocês também ficam em silêncio", disse o vice de futebol. "Decisões são tomadas em conjunto, nada é secreto."

Apesar da breve declaração de Frizzo, Tirone disse ao portal IG que foi Felipão quem decidiu pela nova determinação. "Eu não sabia dessa lei. Se ele acha bom, pode fazer. É o treinador." As afirmações dos diretores, porém, não são a mais pura verdade, de acordo com pessoas ligadas a eles. O fato de Felipão tomar a decisão sozinho irritou os dois, que preferiram não alimentar a discussão para não piorar mais o clima.

Fim dos problemas? Esta não é a 1.ª vez que Felipão proíbe os jogadores de conversar com a imprensa. No ano passado, os atletas não podiam dar entrevistas no campo, logo após as partidas.

Com essa última determinação, Felipão tenta amenizar a série de problemas internos no Palmeiras, evitando assim declarações desagradáveis. Tudo por causa de Kleber.

Acostumado com a fama de artilheiro, o atacante viu nos últimos dias o seu status ir por água abaixo. Sem marcar há 14 jogos no Brasileiro, ele conseguiu nas últimas partidas o que parecia impossível no Palmeiras: piorar o ambiente no clube.

Irritado com a falta de armação e com as falhas defensivas do time, Kleber disparou contra os companheiros após os jogos. As declarações não são muito diferentes daquelas que Marcos costuma soltar sempre que está insatisfeito. Mas a diferença é que o atacante não goza do mesmo prestígio nem tem o mesmo poder do goleiro. E suas reclamações repercutiram mal no grupo. Até Felipão ficou bravo com Kleber.

O atacante não marca no Brasileiro desde 19 de junho, quando fez dois gols contra o Avaí. Depois, só foi balançar as redes no fim de agosto, contra o Vasco, pela Copa Sul-Americana.

Kleber já soma 14 jogos em jejum na competição nacional. Coincidentemente, sua má fase iniciou justamente no conturbado episódio em que quase foi para o Flamengo. Na ocasião, insatisfeito por ganhar menos que Lincoln e Valdivia, por exemplo, reclamou até da diretoria, mas acabou ficando - Arnaldo Tirone prometeu um aumento salarial ao atleta, a partir de janeiro. Mas a maioria dos conselheiros e até alguns diretores não acreditam que Kleber inicie 2012 com a camisa alviverde.

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