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Felipão nega que Brasil tenha perdido status no futebol

Técnico tem o apoio da revista francesa L'Equipe, que publicou matéria elogiando a seleção

ROBSON MORELLI, Agência Estado

08 de junho de 2013 | 20h05

PORTO ALEGRE - Aos que defendem que o futebol da seleção brasileira encolheu e que o Brasil não é mais uma potência no esporte bretão, duas contestações. A primeira vem da Europa, de uma reportagem especial feita pela conceituada revista francesa L'Equipe. A publicação se dobra ao adversário deste domingo da França, chamando o Brasil de o país dos mitos no futebol. Resgata toda a tradição do futebol brasileiro, de Garrincha a Pelé, passando por Romário, Rivaldo e Ronaldos. A outra contestação é do próprio Felipão.

Provocado em sua entrevista neste sábado, o treinador, de muito bom humor, se empolgou a derrubar o mito de que a seleção brasileira não é mais o bicho-papão das competições internacionais. "Essa história de que somos agora os coitadinhos do futebol não existe, não é verdade. Ainda somos o país que mais copas do mundo ganhou, que mais festejou títulos da Copa das Confederações. Dos 23 jogadores que chamei, 14 foram campeões nesta temporada em seus clubes. Mas passamos ou queremos passar a imagem de que somos ruins", disse.

Felipão também condenou o fato de as pessoas se apegarem e ironizarem que o Brasil ocupa a 22.ª posição no ranking da Fifa. Disse que isso não tem nada a ver, que a seleção só ocupa essa colocação porque não soma pontos nos amistosos e porque não está disputando as Eliminatórias. "Vamos chegar na Copa do Mundo na 30.ª posição, mas isso não quer dizer nada. Mesmo assim, um país pentacampeão não pode ser o 22.º. Isso não existe. Não somos coitadinhos nem no futebol nem como nação. Todos lá fora querem investir aqui, dão valor para a nossa moeda e ainda respeitam o nosso futebol sim", completou.

Felipão é malandro. Ele precisa fazer com que o torcedor volte a acreditar na seleção brasileira. Sua missão nisso é formar um time competitivo, com condições de ganhar a Copa das Confederações e chegar para o Mundial mais acreditada do que está hoje, resultado de uma reformulação no elenco e dos fracassos na Alemanha, em 2006, mas principalmente na África do Sul, com Dunga. O treinador tratou de colocar sua equipe no devido lugar que ele acha que o Brasil deve estar.

Depois, também rasgou elogios ao seu próprio trabalho e dos colegas de profissão. Disse que Parreira organizou a seleção em 1994, na campanha do tetra, com as ferramentas de que dispunha de modo a se tornar a melhor do mundo depois de 24 anos, após a era Pelé. Parreira, que estava na entrevista também, foi além e disse mais: "Em 1970, o mestre Zagallo inovou fazendo com o time do Brasil marcasse atrás da linha da bola, no seu campo, a fim de tirar os espaços dos jogadores europeus e nem por isso a seleção de 70 era defensiva, com média de três gols por partida. Então, está claro que nós também somos organizados taticamente".

Foi dessa maneira também que a seleção brasileira foi penta em 2002. Nesse caso, apesar de contar com jogadores mais experientes, Ronaldo, o melhor de todos, estava machucado e era uma grande dúvida na cabeça de Felipão.

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