Felipão prepara mudanças radicais

Durante passagem por Portugal, técnico admite que nos amistosos contra Itália e Rússia equipe terá muitas alterações

GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h06

A seleção brasileira que vai enfrentar a Itália, dia 21 de março na Suíça, e a Rússia, dia 25 em Londres, será muito diferente daquela que jogou contra a Inglaterra. A revelação foi feita ontem por Luiz Felipe Scolari, em Portugal. Ele não disse o que vai fazer, mas deixou claro que várias coisas não o agradaram na derrota por 2 a 1, em Londres.

"Vamos ter de mudar bastante'', afirmou Felipão, durante o Fórum de Treinadores que está sendo realizado na cidade de Guimarães. "Não gostei do posicionamento (do time) e de uma série de outros detalhes.''

Logo depois da partida contra os ingleses, que marcou sua reestreia na seleção, Scolari já havia avisado que a escalação de dois volantes que saem bastante para o jogo, mas têm pouco poder de marcação, não foi aprovada por ele. O treinador entende que a equipe fica vulnerável.

Assim, não será surpresa se nos próximos amistosos ele escalar dois volantes marcadores, ou pelo menos um, ou ainda deslocar David Luiz da zaga para o meio de campo. Paulinho talvez permaneça no time, porque, por suas características, consegue contribuir mais do que Ramires com o setor defensivo.

Felipão também achou que Ronaldinho Gaúcho e Neymar acabaram se "embolando''. Com isso, talvez "sobre'' para Oscar - nesse caso, o meia do Atlético-MG jogaria mais centralizado.

O substituto de Mano Menezes no comando da seleção garantiu que fará as alterações que julgar necessárias, independentemente daquilo que a imprensa considera certo ou errado.

O fato de Mano, em seus últimos jogos como técnico da seleção, ter optado por uma equipe leve e ofensiva vinha sendo considerado positivo e Felipão foi elogiado por aproveitar boa parte do trabalho do antecessor, apesar da derrota para os ingleses. "Ainda que a imprensa tenha gostado, não tenho de trabalhar em função do que escrevem", avisou.

Scolari diz que sua obrigação é fazer o que é melhor para a seleção, visando principalmente a Copa de 2014. Não quis adiantar, porém, o que vai mudar nem os jogadores que poderão perder espaço. "Eu não posso dizer se A, B ou C não farão parte do grupo para 2014'', ponderou.

Como estava em Portugal, o treinador foi questionado sobre a possibilidade de vir a convocar jogadores brasileiros que estão no futebol do país. E abriu as portas. "No futuro, deverei vir assistir a mais alguns jogos aqui em Portugal'', prometeu. "Eu, o Murtosa, o Parreira. Tenho assistido aos jogos que passam no Brasil.''

Felipão garantiu não ter problemas para trabalhar com atletas considerados estrelas. "Os jogadores não têm o ego tão grande como imaginam. As estrelas são fáceis de dirigir. Além disso, é pior trabalhar com um jogador ruim que pensa que é bom.''

Elogios a Bento. Vice-campeão da Eurocopa de 2004 e quarto colocado na Copa de 2006, na Alemanha, no comando da seleção portuguesa, Felipão participou do fórum ao lado de Paulo Bento, o atual técnico da equipe de Cristiano Ronaldo. E falou bem do colega.

"Gosto do trabalho do Paulo Bento. Torço muito para que dê tudo certo já no jogo de Israel e com o Azerbaijão, para que a seleção tenha a possibilidade de se classificar para a Copa no Brasil. Se Portugal não for ao Mundial, é uma parte nossa que fica fora.''

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