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Felipão sabe que precisa da vitória da seleção contra a Itália

Técnico quer conquistar a confiança dos torcedores antes da Copa das Confederações

ALMIR LEITE , enviado especial, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2013 | 02h10

GENEBRA - Está na hora de começar a jogar um bom futebol. Mas, acima de tudo, está na hora de vencer. É com esse espírito que a seleção brasileira enfrenta a Itália, às 20h30 locais (16h30 no horário de Brasília), no Stade de Genève, na Suíça. A partida será a segunda da equipe sob o comando de Luiz Felipe Scolari, que colocou Kaká no banco, armou a equipe com três atacantes - Hulk, Fred e Neymar -, escalou Fernando e Hernanes como volantes e na zaga parece ter preferido Dante ao lado de David Luiz, embora por sua experiência Thiago Silva não possa ser descartado totalmente.

Felipão reestreou em fevereiro com derrota por 2 a 1 para a Inglaterra em Wembley. E sabe que um bom resultado nesta quinta começará a dar à seleção a confiança e a tranquilidade que espera para que o time, nesta primeira etapa de trabalho, chegue bem à Copa das Confederações - com Mano Menezes, o time passou dois anos sem vencer uma seleção de primeira linha.

"Eu tenho passado aos jogadores que também é importante o resultado porque precisamos começar a ter, dentro do Brasil, um pouco mais de força, crédito e confiança (por parte da torcida). "Para isso, precisamos ter vitórias. Quando dermos o primeiro passo e depois o segundo, tenho certeza de que no Brasil vão nos olhar de maneira diferente."

A contrapartida é que novo tropeço fará a desconfiança, e por extensão a pressão, crescerem. Algo que não intimida nem incomoda o experiente treinador. "Podem cobrar resultado sempre, porque quem trabalha na seleção tem de ser cobrado, independentemente das dificuldades. Eu sabia disso quando assumi. Se as coisas não forem bem feitas, equilibradas e meu time não jogar, eu tenho de ser cobrado. É o normal."

Mas Felipão quer tratar de evitar tais cobranças. E entende que o caminho mais curto para vencer e ter tranquilidade passa pela formação que mandará a campo nesta quinta (que não é definitiva, porque a fase é de testes) mas, principalmente, pelo esquema tático que vai utilizar. "Não vou jogar de acordo com o formato da seleção italiana e sim dentro daquilo que tenho de tentar para o meu time", afirmou, sobre a escalação de três atacantes, além de usar volantes que dão mais proteção à zaga.

Essa, aliás, deverá ser mesmo a "cara" da seleção daqui para a frente, de acordo com o próprio treinador. "É uma situação quase definida, com alguma variação no jogo se for possível."

O esquema com três zagueiros pode ser uma dessas variações. Mas não da forma como foi testado na terça-feira.

"Treinei com três zagueiros jogando por trás e já vi que não dá. Se tiver de jogar assim, vou adiantar um zagueiro, e deles só o David Luiz pode jogar como primeiro volante."

Kaká ficará mesmo no banco. Se der, entra no segundo tempo. Do contrário, fica para a partida de segunda-feira contra a Rússia em Londres. "Minha ideia é utilizá-lo no decorrer do jogo e quem sabe colocá-lo para iniciar a partida da próxima semana."

O meia do Real Madrid vai ter a mesma oportunidade dada a Ronaldinho Gaúcho, e também será observada sua ambientação com os outros jogadores e se suas características se encaixam na filosofia da equipe. "Depois vou ver se levo (para a Copa das Confederações) um deles, os dois ou nenhum dos dois."

Em compensação, Felipão não tem dúvidas sobre Fernando. "Ele seria titular contra a Itália mesmo que os outros (Paulinho e Ramires) não tivessem se contundido."

Hernanes será o outro volante, e acredita que o fato de atuar na Lazio pode fazer alguma diferença a favor do Brasil esta noite, porque poderá alertar seus companheiros. "Eu conheço como eles jogam. São bem definidos, com três zagueiros, o Pirlo começa bem as jogadas. Não podemos deixá-lo pensar."

Felipão garantiu que o time que começou o treino de quarta-feira iniciará a partida com a Itália. Assim a zaga terá David Luiz e Dante. Mas Thiago Silva não pode ser descartado, apesar de ainda não estar bem fisicamente e admitir receio de sentir uma lesão muscular caso tenha de dar um pique longo e em velocidade. Ele participou de parte do treino entre os titulares e, por sua experiência, não será surpresa se o treinador mudar de ideia.

CORTE

Outro zagueiro, Dedé, foi cortado por suspeita de infecção. Ele acordou reclamando de dores abdominais, fez exames em uma clínica de Genebra e, de acordo com o médico José Luís Runco, pode estar com uma infecção ou quadro viral. Antes do vascaíno, Lucas (substituído por Osvaldo), Paulinho e Ramires haviam sido cortados por contusão.

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