Felipe França, com prata, recoloca o Brasil no pódio

Nadador chorou muito durante a premiação da prova dos 50 m peito. Foi a sexta medalha nacional na história

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

O homem de pedra é agora o homem de prata, e também de sentimentos. Superadas as muitas dificuldades que passou nos últimos dias, Felipe França não fez questão de conter a emoção ao conquistar o segundo lugar na prova dos 50 m peito no Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos, em Roma, com o tempo de 26s76. No pódio, chorou muito, caiu de joelhos e foi amparado. Acabava ali uma espera de 15 anos - tempo que o Brasil não ganhava uma medalha em competições de piscina do evento. Poliana Okimoto conquistou, na semana passada, medalha de bronze, mas na maratona aquática.França não soube explicar sua reação. "Tem uma coisa dentro de mim que está me segurando, acho que é a alegria, e daqui a pouco vou chorar de novo", disse. Em geral, é muito contido, mas admitiu que quase desmaiou ao garantir a vaga olímpica, no ano passado. "Naquela ocasião me apoiei em uma grade, desta vez me apoiei na pessoa que estava no pódio, senão poderia cair."Felipe dedicou o resultado a seu técnico, Arilson Silva, que o ajudou em momentos difíceis: o mal-estar estomacal de sexta-feira e nas semifinais, anteontem, quando seu recorde foi ser superado. O treinador se emocionou. "A semifinal foi mais difícil. O Felipe estava nervoso, porque, se não chegássemos à final, seria uma derrota." João Gomes Júnior, que também disputou a final dos 50 m peito, ficou em oitavo.O pódio de Felipe foi histórico. As duas últimas medalhas do Brasil em provas de natação, em Mundiais, também foram ganhas em Roma. Em 1994, Gustavo Borges foi bronze nos 100 m e integrou a equipe do revezamento 4 x 100 m com Fernando Scherer, Teófilo Ferreira e André Teixeira, que também ficou em 3º. Na história dos Mundiais o Brasil soma seis medalhas.DESRESPEITOA entrevista coletiva, depois da solenidade, reservou momentos de constrangimento para Felipe França. A organização não providenciou um tradutor para o brasileiro, que não fala inglês. Os intérpretes que estavam na sala não só traduziram as palavras de Felipe de maneira equivocada, como recusaram a ajuda dos jornalistas. Perguntas em português a Felipe foram vetadas e o impasse só foi contornado quando os jornalistas se dispuseram a falar português e inglês, traduzindo a resposta de Felipe para os outros jornalistas na sala.

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