Fenômeno não tira a camisa corintiana

Quando Ronaldo afirmou, durante o discurso no qual anunciou o fim de sua carreira como jogador, que o Corinthians poderia contar com ele para o que precisasse dali para frente, não estava apenas dominado pela emoção do momento. De fato, o clube já tem alguns planos para explorar a imagem do craque. Se depender do Corinthians, o Fenômeno terá de tudo nos próximos meses, menos sossego.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

Motivados pela coluna da semana passada, na qual levantamos a questão de os clubes brasileiros levarem um banho de marketing, mesmo quando comparados aos argentinos, alguns dirigentes do Corinthians entraram em contato. E nas conversas deixaram bem claro que as iniciativas para mudar essa realidade e criar um mercado internacional para a marca corintiana passa, diretamente, pelos projetos com Ronaldo.

Ideias não faltam. Só algumas, porém, serão viabilizadas. A que mais chama atenção é a de transformar Ronaldo em uma espécie de embaixador alvinegro. A missão é clara: aproveitar a mídia espontânea que o jogador tem em todo o planeta para associar a ela a imagem do clube. Exemplo: embaixador da ONU que é, Ronaldo presentearia autoridades, líderes e celebridades mundiais com a camisa do Corinthians devidamente autografada por ele. "Quanto vale para a marca do clube, por exemplo, o Ronaldo entregar uma camisa do Corinthians para o Obama, para o Bono Vox ou para o Papa?", perguntou um desses dirigentes.

Outras propostas que passam pela mesa do presidente Andrés Sanchez se notabilizam pela ousadia. Quer ver? Que tal grandes astros do futebol, já aposentados, como Zidane, Romário e Maradona, vestirem a camisa alvinegra? Pois é, um dos projetos prevê a realização de partidas amistosas que reuniriam amigos do Fenômeno. Todos receberiam cachês para usarem o uniforme completo e os jogos seriam disputados nos países onde o clube centraliza sua estratégia de divulgação da marca. "Imagina a exposição que esse tipo de evento teria em todo o planeta, especialmente no mercado interno do país sede da partida. Todos passariam a conhecer a marca do Corinthians", argumenta o empolgado diretor.

Ele tem razão. Afinal, os clubes do País não têm nem sombra do respeito internacional conquistado pela seleção. Os nomes dos craques brasileiros correm o mundo, mas sempre na costas de camisas amarelas.

Ronaldo não é santo. Como qualquer ser humano, cometeu vários erros, diversos deslizes. Porém, seu brilho e conquistas dentro do campo e sua determinação e saga fora dele para combater as sérias lesões o transformaram em um dos maiores jogadores de todos os tempos. Ronaldo foi o melhor atacante que vi jogar. Sim, para mim ele foi melhor do que os geniais Romário, Van Basten, Careca etc. Se associar a essa história e a essa imagem não é questão de oportunismo. Trata-se apenas de uma questão de inteligência.

TROCA DE PASSES

"Li seu texto intitulado "Tímido melhor futebol do mundo" e concordo com os executivos. A barreira do idioma é um complicador na relação do Brasil com os países vizinhos"

CESAR PONTES SÃO PAULO-SP

Nota da coluna: Caro Cesar, é claro que se todos nós falássemos o mesmo idioma, tudo seria mais simples. Porém, me diga uma coisa. Se a língua é barreira para os clubes brasileiros ganharem mercado na América do Sul, por que não foi para os ingleses e alemães, que dominam as lojas de departamentos?

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