Fernandão, de ídolo a vilão para a torcida do Inter

Gaúchos não perdoam o atacante por ter dito que levaria o São Paulo à final da competição. Jogador nem se abala

Giuliander Carpes, enviado especial a Porto Alegre, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

O amor que o torcedor colorado sentia por Fernandão ficou mesmo no passado. Ainda mais depois que o centroavante disse, em entrevista exclusiva ao Estado, que tinha 100% de certeza que levaria o São Paulo à final da Taça Libertadores. Quando nome do jogador-símbolo da conquista da Libertadores de 2006 foi anunciado, uma estrondosa vaia ecoou pelo Beira-Rio. Depois, no primeiro toque do ex-ídolo colorado na bola, os apupos dobraram de volume.

A entrevista de Fernandão causou polêmica no Rio Grande do Sul. Era o assunto principal dos programas de rádio mais ouvidos do estado na véspera da partida. E passou o dia inteiro no site do Zero Hora, o maior jornal do Sul do País.

"Vamos fazer o Fernandão morder a língua", bradou o estudante Carlos Augusto Fattore, 27 anos, antes da partida nas imensas filas de sócios colorados que entravam no Beira-Rio. O sentimento era compartilhado por todos os que estavam vestidos de vermelho no estádio

Vaias ignoradas. Fernandão não se importou. Minimizou os apupos do agora torcedor rival. "A reação é normal, tranquila. Já esperava por isso, não tenho do que reclamar", disse o diplomático centroavante são-paulino. "O torcedor colorado quer este segundo título tanto quanto eu quero o meu. Tenho carinho pelo Inter, jamais vou desrespeitar os colorados e acho que eles vão me respeitar sempre também."

Assunto da preleção. A entrevista do jogador não causou maior comoção em Celso Roth. "É uma reação normal do jogador", minimizou o treinador do Internacional. "O passado dele no Inter vai ficar guardado, mas agora ele vai querer ser campeão pelo São Paulo." No entanto, o técnico teria levado o material para a preleção com os jogadores. A conversa demorou mais de meia hora na concentração da equipe.

Em campo, Fernandão lutou bastante, terminou a partida claramente extenuado, mas teve um rendimento discreto. Como o São Paulo praticamente renunciou ao ataque, ele praticamente não apareceu ofensivamente. Seu lance mais marcante na primeira etapa foi quando recebeu a bola na entrada da área, mas acabou tropeçando e deixando a chance escapar.

"Temos de segurar a bola um pouco mais na frente, tentar assustá-los no contra-ataque", disse ao final da primeira etapa.

Mas isso não ocorreu e Fernandão, por sua estatura, acabou se tornando em um "defensor"" eficiente, principalmente nas bolas altas lançadas sobre a área do São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.