Ferrari repetirá ação, se necessário

   

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Favor. Felipe Massa liderava quando recebeu ordem para deixar Alonso passar

 

Felipe Massa coloca no ar, hoje, no site da Ferrari, seu tradicional texto pós-corrida. Apesar de já ter dito o que pensa do fato de deixar Fernando Alonso ultrapassá-lo para vencer o GP da Alemanha, domingo, é possível que tenha novas explicações. Mas o que mais se espera de Massa é que diga algo a seus milhões de torcedores no Brasil, que simplesmente execraram seu comportamento e o veem, agora, como um perdedor, como Rubens Barrichello.      

 

 

 

 

TV Estadão videoAssista à análise do problema Massa x Alonso      

 

 

 

Já o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, lembrou mais uma vez, ontem, como que justificando a ordem da equipe a Massa: "As polêmicas não me interessam e reitero o que sempre digo a nossos pilotos e que estejam atentos, os interesses da Ferrari estão acima dos deles." O italiano falou mais, dando a entender que decisões dessa natureza vão continuar sendo tomadas: "Elas existem desde os tempos de Nuvolari (Tazio, piloto dos anos 30 do circuito Grand Prix, o equivalente à Fórmula 1, nascida em 1950) e eu mesmo passei por isso quando fui diretor esportivo da Ferrari, na época de Lauda (Niki, nos anos 70)." Montezemolo tem total confiança de que a Ferrari não será punida pelo conselho mundial da FIA pela ordem de equipe em Hockenheim: "Chega de hipocrisia. Entendo que para alguns seria prazeroso ver nossos pilotos se eliminarem da prova. Mas certamente não para mim e os nossos fãs."

Pressionado. O que Massa poderia fazer, domingo, quando o grupo presidido por Montezemolo o ordenou que deixasse Alonso ultrapassar com aquela senha infantil repassada pelo seu engenheiro, via rádio: "Felipe, Fernando está mais rápido. Você entendeu a mensagem?" Massa teria duas opções. A primeira era fazer o que fez, manter sua relação profissional com a Ferrari, como manteve, e ao mesmo tempo cair em desgraça com a torcida brasileira. Fato consumado. Se igualou a Rubens Barrichello, nunca perdoado por comportamento semelhante com Michael Schumacher, em 2002, na mesma Ferrari, no GP da Áustria de 2002. Os espectadores que estavam no autódromo vaiaram a atitude dos pilotos e da equipe italiana.

A outra possibilidade para Massa era afrontar a ordem, vencer a corrida e, com sorte, terminar a temporada na Ferrari, desde que a partir já da próxima etapa, domingo na Hungria, acatasse todas as determinações. Mas saberia que seu contrato para 2011 não seria reconfirmado. Esse comportamento do time não é exclusividade da Ferrari. Se um piloto não obedece o que a escuderia solicita essa relação que é de extrema confiança se deteriora irremediavelmente.

O que muita gente na Fórmula 1 comenta é que Massa poderia ter sido mais discreto, "perder" a posição numa disputa de freada, por exemplo, pareceria natural. Não ficaria tão caracterizada a ordem de equipe que levará a Ferrari a julgamento, podendo ser até punida, e sua imagem de piloto seria profundamente menos lesada. Massa preferiu passar a mensagem de que não perde para Alonso na pista. Só se a Ferrari ordenar. Mas já está pagando um preço que compreenderá melhor quando desembarcar no Brasil.

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