Ferrari tenta apagar incêndio

Luca di Montezemolo, presidente da equipe italiana, evita críticas e prega união na reta final

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

30 de setembro de 2008 | 00h00

A bobagem que a Ferrari cometeu no GP de Cingapura, anteontem, foi histórica e pode custar para Felipe Massa o título mundial. A luz verde que se acendeu antes de ser completado o reabastecimento do carro provocou transtornos e punição para o brasileiro, que terminou a prova apenas em 13.º lugar e viu aumentar a diferença para o líder Lewis Hamilton (84 a 77). Apesar da confusão cavalar, a cúpula da mais tradicional escuderia do circo mantém postura aparentemente inabalável. O presidente Luca di Montezemolo mais uma vez agiu como bombeiro e ontem veio a público apagar incêndio. O dirigente reafirmou confiança em "todos" os integrantes do time, pediu união na arrancada final e espera reação já na etapa do Japão, no dia 12 de outubro."Nosso carro foi amplamente superior neste fim de semana", comentou Montezemolo. "Massa fez tempos extraordinários e mostrou que é o piloto mais em forma no momento", ponderou, para emendar. "Espero que daqui para a frente Massa e Raikkonen cheguem em primeiro e segundo, sempre à frente da McLaren."Montezemolo admite que houve erro, quando Federico Ugozzoni, mecânico-chefe do time, se recipitou e acionou antes da hora o botão de "via livre" para Massa sair dos boxes. A falha, em sua avaliação, não diminui a qualidade dos profissionais da Ferrari. "Temos mecânicos excelentes, mas que às vezes podem falhar", admitiu. "Somos campeões do mundo e ainda capazes de vencer." Com os resultados de fim de semana - Hamilton 3.º, Kovalainen 10.º, Massa 13.º e Raikkonen 15.º -, a McLaren ficou em 1.º, no Mundial de Construtores, com 135 pontos, contra 134 da Ferrari.A ira de Montezemolo se concentrou no circuito de Cingapura, em que foi realizada pela primeira vez uma prova noturna de F-1. O italiano disse que o tipo de pista era propício para incidentes e promete discutir, com outros cartolas, os benefícios de provas do gênero. "Lamento que tenhamos de correr em traçados que parecem mais adequados para circo de cavalinhos", exagerou. "O espetáculo fica com o safety car", comparou. "Esta situação é humilhante para a Fórmula 1 e quero falar com as demais equipes."ALONSO ALIVIADOA vitória inesperada na Ásia deu novo ânimo para Fernando Alonso, embora não defina seu destino para 2009. O espanhol bicampeão do mundo festejou a reviravolta no GP de Cingapura - havia largado em 15.º lugar -, mas é reticente ao falar sobre o futuro. "Não muda nada", desconversou o piloto, que não crava sua permanência na Renault, que não vencia desde 2006, quando ele ganhou o título. "Será minha primeira opção, porque me sinto em casa."

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