Srdjan Suki/EFE
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Ferrari torce para ter chuva no domingo que decide o mundial de Fórmula 1

'Precisamos de uma mexida na corrida', disse Andrea Stella, engenheiro de Fernando Alonso

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h07

SÃO PAULO - A Ferrari não tem tempo a perder. Fernando Alonso precisa, por exemplo, vencer o GP do Brasil e ainda torcer para Sebastian Vettel, da Red Bull, terminar da quinta colocação para trás para conquistar o título mundial, domingo, no GP do Brasil. Por esse motivo já desde esta quarta-feira, 21, o engenheiro de Alonso, o italiano Andrea Stella, estudava em Interlagos todos os detalhes capazes de serem úteis a seu piloto.

Em breve conversa com o Estado, não escondeu a felicidade com a previsão de chuva para o dia da prova: "A princípio, a chuva representa sempre uma dor de cabeça para um engenheiro, mas aqui, nesse fim de semana específico, claro que é bom. Precisamos de uma mexida na corrida como a gerada pela chuva". A razão é a maior eficiência, hoje, do modelo RB8 da Red Bull de Vettel em relação à Ferrari F2012 de Alonso e o fato de o espanhol estar atrás na classificação, 260 a 273.

Para Vettel conquistar o tricampeonato, basta a quarta colocação no GP do Brasil, independentemente da colocação de Alonso. A tarefa do alemão no asfalto seco, lembrou Stella, é muito mais fácil. Já uma corrida no molhado eleva substancialmente o número de variáveis que interferem no resultado, ou seja, aumenta, na teoria, o desafio para Vettel.

Mas se por acaso não chover, hipótese que a France Meteo, empresa contratada pela Fórmula 1, quase descarta para domingo, o engenheiro de Alonso não está pessimista. "Você caminhou no asfalto do Texas?", perguntou Stella ao repórter do Estado. "É impressionantemente liso, parece um espelho. Foi muito difícil fazer os pneus atingirem a temperatura (ideal de aderência)", explicou. "Aqui o asfalto é bastante distinto, não deveremos ter esse problema."

Alonso cruzou a linha de chegada no GP dos EUA, domingo, na penúltima etapa do calendário, em terceiro, mas 38 segundos atrás de Vettel, segundo, que, por sua vez, chegou somente 6 décimos depois do vencedor, Lewis Hamilton, da McLaren. Essa diferença enorme para a McLaren e a Red Bull teve origem, segundo o engenheiro de Alonso, na menor capacidade de a Ferrari trabalhar os pneus.

A Pirelli distribuiu em Interlagos os mesmos pneus de Austin, duros e médios. Hirohide Hamashima, ex-técnico da Bridgestone, hoje integrante da Ferrari, explicou ontem ao Estado, porém, que, além de o asfalto de Interlagos ser muito mais abrasivo, a natureza do traçado também favorece a que eles atinjam sem dificuldade a temperatura desejada para permitir o máximo de desempenho. A Ferrari será, para o japonês, bem mais competitiva no GP do Brasil.

Do lado da Red Bull, a preocupação nem parece ser a possibilidade elevada de chover, mas a durabilidade do carro. Se Vettel abandonar em Interlagos, bastará a Alonso o terceiro lugar para ser campeão. Vettel abandonou em Valência e Monza por quebra do alternador, como seu companheiro, Mark Webber, domingo, nos EUA. A Renault e a Magnetti Marelli, responsáveis pelo alternador da Red Bull, têm para o GP do Brasil uma nova versão da importante e complexa peça.

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