Festa da torcida não impressiona judoca

Flávio Canto tomou um susto quando viu a quantidade de pessoas que foi receber a delegação brasileira de judô, na manhã de hoje. Mas nem o tumulto, nem a medalha de bronze conquistada na categoria meio-médio conseguiram deixar o judoca impressionado. Leandro Guilheiro, estreante em Olimpíadas e caçula da equipe, que foi bronze na leve, estava eufórico pela festa que receberia em Santos. Aos 29 anos, Flávio disputou sua terceira Olimpíada. Satisfeito com seu desempenho, afirmou: "A medalha não faz de mim mais nem menos. Eu só estava em um dia bom. E isso não significa que eu seja o terceiro melhor judoca do mundo. Mas é claro que lá no pódio, quando eu olhei para o medalha de ouro, senti um pouco de inveja." Para o atleta, o mais importante na conquista da medalha são os apoios que ele pode conseguir para seu projeto social, que existe há quatro anos e hoje ajuda mais de 600 crianças na Favela da Rocinha e na Cidade de Deus. "O esporte é o melhor meio de inclusão social. No judô, a primeira coisa que voce aprende é a cair. Depois, a derrubar. Na vida você tem quedas o tempo todo, e no judô é que temos de aprender a levantar e seguir em frente", diz o judoca, que ainda não sabe de sua programação. A conquista de Leandro foi considerado uma surpresa para muitas pessoas, mas não para ele. "Eu sabia desde o início que se desse tudo de mim poderia ganhar uma medalha. Antes da primeira luta eu estava pensando que tinha muito a melhorar para ganhar uma medalha olímpica, e sei que vai ser assim daqui para frente: muito treino para voltar a ganhar", diz o atleta santista de 21 anos. Além de festejar, Leandro quer um tempo para se recuperar de uma fratura na mão esquerda. "Quebrei há um ano e sete meses, mas não podia parar de lutar porque estava no meio das seletivas olímpicas. Ainda bem que não parei. Mas sei que em dois meses já vou estar bem", assinalou. Sobre as futuras expectativas sobre próximas Olimpíadas, Mundiais e outras competições, Leandro se esquiva: "Nem sei nem o que vou fazer daqui a pouco, imagina daqui a quatro anos. O que sei é que vou ter de treinar muito para ter alternativas, porque sei que a partir de agora também vou ser estudado pelos adversários." Flávio e Leandro concordam quanto à participação do judô brasileiro em Atenas. "Acho que foi uma boa campanha. Muitos favoritos caíram. A Olimpíada é uma competição atípica. Eu mesmo, há cinco meses fiquei em sétimo no Pan-Americano. Acho que com essas duas medalhas o judô brasileiro continua mostrando que é forte", disse Leandro. No judô, 197 países entraram na disputa. Em cada categoria masculina competiram 32 atletas. "Quando você entra para disputar uma Olimpíada já está entre os melhores 32 no mundo. Quando você ganha uma luta já está entre os 16. Acho que posso explicar assim: somos todos flechas tentando atingir o mesmo alvo. Pode-se dizer que só dois acertarem, mas o que importa mesmo é ter flechas tentando acertar. E acho que o judô brasileiro está muito bem em todas as categorias. Alguém se lembra que no último Mundial a Edinanci, o Mário Sabino e o Carlos Honorato trouxeram medalhas? Amanhã podem ser outros", analisa Flávio.

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