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Festa na matriz

Em algumas questões, já nem tanto. Mas, quando se trata de futebol, os europeus se consideram o umbigo do mundo. Postura carregada da presunção acumulada por séculos de colonialismo do qual eram a matriz. Por mais antipático que pareça, os gringos não estão errados. Os clubes de lá são os mais ricos, possuem os melhores jogadores, garimpados em toda parte - incluídos os nossos -, e o torneio continental entre equipes dá de goleada na querida Libertadores da América e similares. É fato, não adianta nem fingirmos indiferença.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2014 | 02h31

A cada ano que passa, a decisão da Copa dos Campeões, tratada de forma mais chique por Uefa Champions League, se transforma num espetáculo caprichado, num evento esportivo, cultural, publicitário e comercial de cair o queixo. Pra dar inveja mesmo, ora essa, e vamos largar de enrolação.

Não é por acaso que atrai interesse de patrocinadores, de meios de comunicação (que travam batalhas duras pela primazia de transmitirem a festa) e de torcedores, que se estapeiam para conseguir ingressos. Não é à toa que nas bandas de cá cresce o número de simpatizantes, quase ouso dizer torcedores no duro, de Real Madrid, Barcelona, Manchester, Milan, Bayern e tantos outras agremiações cheias da grana.

Juro que, na semana passada, vi gente vibrar com o gol que deu o título espanhol ao Atlético de Madrid como se fosse marcado pelo Corinthians, pelo Flamengo, pelo Palmeiras! Fora as discussões, as provocações, que eu jamais imaginava fossem possíveis a não ser por times do pedaço. Estou vendo a hora em que haverá comemoração na avenida Paulista pela conquista de um Chelsea, de uma Juventus. Se bobear, até do Sporting, do Napoli, do Villarreal. Eu, hein, os europeus não largaram a mania de colonizar, só que agora usam o futebol e não mais exércitos.

Já que é inevitável, não fico por fora e vou acompanhar o duelo fratricida entre Atlético e Real, ambos de Madri, no Estádio da Luz, em Lisboa. Elenco por elenco, o Real é melhor, e de quebra ainda conta com Cristiano Ronaldo, o gajo que decide. Mas, admito, tenho uma quedinha pelo Atlético. Acho que pelo fato de ter passado tanto tempo por baixo, à sombra dos gigantes espanhóis, e por ser uma espécie de primo pobre. Veja você, é como se o Atlético fosse um sul-americano. Bom, pelo menos é treinador por um argentino, o que já se torna um pouco mais próximo de nós. Só não soltarei rojões.

Espalha-roda. Manja o sujeito desastrado para fazer piada? Aquele tipo que se imagina o gozador da turma, mas que só dá bola fora? Que provoca o efeito gangorra, quando senta, os outros levantam? O presidente do São Paulo, Carlos Aidar, faz o tipo desajeitado. Assumiu dia desses e, em pouco tempo, mandou mais bola fora do que o Deivid. Tenta repetir a verve de Juvenal Juvêncio, mas está descalibrado e não acerta uma. Se emenda, fica pior.

Primeiro veio com a conversa de que o Kaká apresentava perfil tricolor por ter todos os dentes, falar bem e bobagens assim. Agora, para provar que nem por sombra lhe passa pela cabeça negociar Ganso, avisou que o Napoli - supostamente interessado no moço - não o tiraria do Morumbi nem "com todo o dinheiro da Camorra", a máfia do Sul da Itália, concentrada em Nápoles.

Comentário chato, que extrapola os estereótipos de pizza, tarantella, canzonettas e devoção por san Gennaro. A Camorra é organização criminosa, assassina, odiosa, que há muito subjuga, chantageia, maltrata, humilha o napolitano. Não tem nada de folclórica, e para conhecê-la um pouco sugiro a Aidar a leitura de Gomorra, livro-denúncia do jornalista Roberto Saviano, em que se escancaram os métodos desse câncer na sociedade italiana. Saviano está no programa de proteção a testemunhas e vive sob ameaça constante de bandidos que não têm nada de bonachões nonnos sentados na praça a contar histórias para os netinhos. Perigosos como os "comandos" que aterrorizam o Rio ou São Paulo.

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