Festa para Mano Menezes

Técnico completa hoje, contra o Flu, 100 jogos pelo Corinthians, com bom aproveitamento e respeito da torcida

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

O museu corintiano certamente reservará um lugar privilegiado para Mano Menezes. O treinador virou uma das estrelas da torcida e hoje, às 21h50, contra o Fluminense, no Pacaembu, entrará para o seleto grupo de "técnicos centenários" da equipe. Marca comum para jogadores. Não tão normal, porém, para técnicos no futebol brasileiro. No Corinthians, por exemplo, apenas 14 conseguiram alcançar a marca de 100 jogos. Acompanhe online os lances da partida pelas quartas de final O 15º será Luiz Antônio Venker Menezes, o "Mano da Fiel", que pode chegar ao fim da temporada como o sexto da história, na cola de Jorge Vieira. Hoje, na verdade, seria o 17º, já que Amilcar Barbuy (162) e Guido Giacomelli (122), nos anos 10, 20 e 30, também atingiram esse feito. "Mas os números se misturam com o tempo em que foram dirigentes e até jogadores", diz Celso Unzelte, jornalista e autor do Almanaque do Timão.Merecida marca para esse gaúcho de Passo do Sobrado, de 46 anos, que aceitou a missão de dirigir o clube na Série B na temporada passada e, com boa campanha nas competições em que dirigiu o Corinthians, tem tudo para seguir carreira no Parque São Jorge. "Uma marca importante, pois é a valorização do trabalho. Só se chega a ela porque os resultados existem e espero comemorá-la amanhã (hoje) com uma grande partida."Desde Oswaldo de Oliveira, em 2000, nenhum treinador consegue a marca de 100 jogos. Dos últimos 10 técnicos no clube, quem mais dirigiu o time foi Emerson Leão, em apenas 46 confrontos. Na história, há técnicos no comando do time apenas em duas rodadas, como Júnior, ex-Flamengo. Em 99 partidas sob o comando de Mano, o corintiano viu 61 vitórias, 26 empates e lamentou apenas 12 derrotas. Aproveitamento de 70,4% dos pontos. Foram dois títulos, um vice-campeonato e um quinto lugar. Tudo começou em 16 de janeiro com um 3 a 0 no Guarani, no Morumbi. O técnico montou uma equipe confiável, que resgatou o orgulho da torcida ao confirmar a conquista da Série B e ganhar o Paulista deste ano de forma invicta. "O futebol está muito parecido em todos os lugares, temos de provar sempre, a cada jogo. Não basta apenas o que conquistamos na semana passada", comenta. Sua missão, agora, é levar o time à Libertadores de 2010, ano do centenário alvinegro. "O importante é subir cada degrau de uma vez. Primeiro tínhamos de subir o time na Série B, depois, ganhar o Paulista. Agora temos a Copa do Brasil e vamos trabalhar para conseguir vencê-la."Mano é calmo. Difícil vê-lo sem sorrir. Fala mansa, divide o estilo paizão com o sargentão nas horas das dificuldades. Conversa bastante e também gosta de ouvir os jogadores. Só não admite a preguiça. No ano passado, chegou a afastar Felipe para que o goleiro treinasse mais. Hoje, é um dos maiores defensores do camisa 1, um dos destaques na conquista estadual. "Sou apenas um gaúcho longe de casa", diz. "Fui bem recebido e procuro sempre retribuir com respeito", prossegue. "Trabalho para os torcedores, ver a alegria da arquibancada é impagável."O lado tranquilo, porém, fica de lado quando alguém tenta desmerecer sua equipe. Já trocou farpas com Muricy Ramalho e Vágner Mancini. No domingo, disse para Tite, do Inter, que ele não "apitaria o jogo", pois não estava no beira-rio.

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