FIA culpa McLaren, mas não pune

Entidade alegou não existirem provas de que os dados obtidos da Ferrari interferiram nos resultados do campeonato

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

Que a punição não seria pesada demais era mais ou menos esperado. Mas Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, e Max Mosley, presidente da FIA, decidirem junto com os demais membros do Conselho Mundial, ontem em Paris, não estabelecer a mais leve pena à McLaren representa abrir perigoso precedente na Fórmula 1: espionar é permitido.Há anos não se assistia a um campeonato cheio de alternativas como o atual. Quatro pilotos lutam pelo título e as sete etapas que restam prometem ser emocionantes. Mais: uma nova, jovem e pródiga geração de pilotos, muito bem preparada, onde o melhor representante é Lewis Hamilton, da McLaren e inglês como Ecclestone e Mosley, chega à competição despertando enormes interesses, contra o que se temia com a aposentadoria de Michael Schumacher. Tudo isso está se refletindo no aumento dos índices de audiência da Fórmula 1 no mundo todo. Ecclestone e Mosley, os homens que em essência decidem, optaram por não mexer nesse estado de coisas. A Fórmula 1 fica como está.Na reunião de ontem, a FIA reconheceu que a McLaren transgrediu o artigo 151 c do Código Esportivo Internacional, ao estar de posse de documentos confidenciais da Ferrari. ''''Mas, como não há provas de que as informações inteferiram no andamento do campeonato, não há razão para puni-la.'''' Ainda: ''''Se as informações forem utilizadas em detrimento da competição a McLaren enfrentará o risco de ser excluída desta temporada e da seguinte.''''Em abril, o então mecânico da Ferrari, o inglês Nigel Stepney, entregou ao projetista da McLaren, o também inglês Mike Coughlan, o conteúdo de 700 arquivos de computador da Ferrari. A polícia inglesa, depois de o time italiano acioná-la, entrou na casa de Coughlan e confirmou a espionagem.Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, alegou não existir propriedade intelectual da Ferrari no carro da McLaren. Não se questiona. Mas acreditar que um dos seus principais técnicos, Coughlan, dispor de tantas informações preciosas da Ferrari e não utilizá-las em nenhum momento, como auxiliar na definição da estratégia das corridas, sugere ''''inocência'''' da FIA.A McLaren distribuiu comunicado, ontem, classificando a decisão como ''''equilibrada e justa''''. Já a Ferrari reagiu com indignação: ''''Descobrimos tudo por acidente. Caso contrário ficaria tudo como está.'''' A Ferrari mantém nas justiças inglesa e italiana ações contra Stepney e Coughlan.

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