FIA muda decisão e Briatore volta à Fórmula 1 em 2013

Entidade emite comunicado para informar que chegou a um acordo com o polêmico ex-diretor da Renault, banido da categoria no ano passado

Livio Oricchio, de Nice, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

Acabou em pizza. Briatore nega envolvimento na farsa da Renault  

 

Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, já havia dado a dica, há uma semana, ao dizer que Flavio Briatore voltaria à competição. Não mais como diretor de equipe, mas na área promocional. Ontem, a FIA emitiu comunicado para informar ter chegado a um acordo com o polêmico ex-diretor da Renault e seu diretor de engenharia, Pat Symonds: ambos podem retomar suas atividades a partir de 2012, mas na Fórmula 1 apenas em 2013.

Os dois haviam sido banidos dos esportes da FIA dia 21 de setembro, decisão revogada pela justiça comum francesa dia 5 de janeiro, pelo envolvimento no escândalo do GP de Cingapura de 2008, em que Nelsinho Piquet, atendendo a solicitação de ambos, provocou um acidente a fim de que, com a entrada do safety car, o outro piloto da Renault, Fernando Alonso, se posicionasse para vencer a corrida, como ocorreu. Briatore negou, ontem, envolvimento pessoal no caso, embora reconhecesse sua culpa por ser o diretor da equipe.

A FIA desistiu de recorrer da decisão da Corte de Paris. O acordo só foi possível por causa de uma mudança nos estatutos. Desde que o seu presidente, Jean Todt, substituiu Max Mosley, em outubro, começaram os estudos para uma revisão conceitual no conjunto de regras que rege as relações entre a FIA, equipes e profissionais da F-1.

No comunicado de ontem, a FIA esclareceu que no dia 11 de março, em Bahrein, o seu Conselho Mundial decidiu adotar um código que serve de referência para o julgamento dos processos disciplinares. E, a seguir, explica: "O Conselho deu ao presidente autoridade para buscar um acordo judicial ou extrajudicial, visando defender os interesses da FIA."

Como estender o caso na Justiça desgastaria ainda mais a entidade, a suspensão dos dois envolvidos por mais dois anos satisfez a todos. E daqui para a frente será assim: Todt vai poder na base do diálogo procurar soluções que visem a preservação dos princípios da FIA e os interesses da F-1. É essa postura mais inteligente, aberta, sem os rancores da administração de Mosley, que hoje gerencia a competição.

Profissionais como Ron Dennis já estão de volta também. Ele teve a cabeça a prêmio pelo ex-presidente da FIA, no ano passado, como parte de um acordo para não excluir a McLaren da F-1. Lewis Hamilton, piloto da equipe, mentiu para os comissários do GP da Austrália. Mosley aproveitou para descontar toda sua antiga ira sobre o ex-mecânico que, por ser competente, fez a McLaren ser o que é.

PARA LEMBRAR

Farsa de 2008, em Cingapura, veio à tona em 2009

Protagonistas do escândalo em 2008, Flavio Briatore e o piloto Nelsinho Piquet ensaiam a volta às pistas. Enquanto Briatore teve seu banimento revogado, Piquet foi absolvido por colaborar com as investigações e, sem propostas na F-1, decidiu começar vida nova na Nascar. Em agosto de 2009, um mês após ter sido demitido da Renault, o brasileiro revelou a farsa da equipe em Cingapura. Após troca de ofensas e acusações, a família Piquet entrou com ação contra Briatore, pedindo indenização de R$ 600 mil.

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