Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Fica para a próxima

O Palmeiras teve chance de botar a mão na taça do Paulista, na tarde de ontem. Caminhou bem nessa direção, com a vitória por 1 a 0 sobre o Santos, no lotado estádio novo e com grama já castigada. Poderia ter dado um salto enorme para recuperar a hegemonia estadual, se não desperdiçasse pênalti e se fosse mais eficiente a partir do momento em que ficou com um a mais aos 15 minutos do segundo tempo. A disputa permanece aberta.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2015 | 02h02

Alto lá. A lógica não será subvertida nem cornetas soarão. Óbvio aberrante que vencer sempre anima e transfere a pressão para aquele que se vê em desvantagem para o duelo seguinte. Oswaldo de Oliveira e seus rapazes cumpriram o roteiro como mandantes, jogarão pelo empate no domingo e deixaram aos santistas a missão de encontrar alternativas para anular o gol sofrido e definir nos pênaltis, se ganharem só por um de diferença.

Deve-se, porém, levar em consideração as circunstâncias do clássico, os episódios, os detalhes, como gostam de alardear jogadores e técnicos. E foram favoráveis ao Palmeiras. A começar pela ausência de Robinho, mais perniciosa ao Santos do que outra falta de Valdivia na turma verde. Um depende muito da experiência, das artimanhas e da liderança do astro. Outro acostumou-se com as baixas corriqueiras do meia e criou alternativas de compensação.

A estratégia escolhida teoricamente também beneficiaria o Palmeiras, que tomou a iniciativa quase do começo ao fim, enquanto no lado oposto a intenção deslavada se limitava à retranca, para evitar gols, além da aposta em contragolpes. O Santos foi ao Parque para não permitir que se abrisse abismo para o jogo de volta. Nesse sentido, pode festejar o 1 a 0 contra. No papel, não é resultado para tirar o sono durante a semana.

Não basta a boa intenção de atacar; para ela virar ótima opção, precisa vir acompanhada de insistência, pontaria, qualidade nos passes. Faltaram tais requisitos ao Palmeiras. Tanto que, mesmo com maior posse de bola, o primeiro susto em Vladimir veio aos 24 minutos, num chute de Leandro Pereira em jogada do Cleiton Xavier. O meia havia entrado no lugar de Arouca, machucado, e melhorou a criação no setor. A prova foi a participação dele na origem do gol de Leandro, um dos melhores momentos da equipe.

O Santos despertou, mas sem exagero, pois a conta não era das mais trágicas. Num dos raros lances de perigo, Lucas Lima cobrou falta e Fernando Prass desviou, numa defesa notável. Taí um ponto importante: o goleiro palmeirense não apareceu mais, exceto em reposições de bola e em alguma saída menos arriscada. Vladimir tampouco foi incomodado, salvo numa saída aos pés de Robinho. E ficou nisso.

A constatação irrefutável: quando goleiro passa despercebido, é sinal de que o sistema de marcação cumpriu o papel dele. No caso, foram os dois, consequência de equilíbrio no duelo e economia de atrevimento na hora de ir pra cima. O Santos não tinha mesmo muita intenção de se abrir e o Palmeiras se enroscou, sem saber o que fazer com a bola nos pés.

Dois incidentes influíram no placar. Em cima da hora, antes do intervalo, os palmeirenses reclamaram de pênalti em Rafael Marques, travado na hora do chute. No segundo, o juiz Vinicius Furlan deu pênalti de Paulo Ricardo sobre Leandro Pereira e ainda expulsou o santista. Dois lances muito discutíveis. Dudu, estiloso, chutou no travessão. O erro murchou o entusiasmo do time e dali até o fim houve pouca emoção.

O Palmeiras mostrou que não atingiu o ponto máximo. Está com a defesa ajustada, Lucas é boa pedida para descidas pelo lado direito, o meio-campo funciona, embora oscile, e o ataque fica à espera de lançamentos. Tem muito a aperfeiçoar, mesmo com eventual conquista.

O Santos pagou pelo desfalque de Robinho, sentiu o golpe da vigilância sobre Lucas Lima e Geuvânio, padeceu com o sumiço de Ricardo Oliveira, que mal pegou na bola. Nada, enfim, que não possa ser corrigido. O próximo jogo será melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.