Fica para a próxima

O Dia das Mães, em São Paulo, teve domingo de sol suave e temperatura agradável. O clima morno e relaxador refletiu-se no duelo entre Corinthians e Santos que abriu a decisão do Campeonato Paulista. Jogo sossegado, sem reclamações, com poucas faltas, catimba normal e eventuais chances de gol para cada lado. Ambos optaram por deixar os momentos de emoção intensa para a semana que vem, na Vila Belmiro. Prevaleceu a máxima do melhor não arriscar demais antes do tempo, pois não vale a pena.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Se não tiveram razões para euforia, as mamães dos alvinegros pelo menos não tiveram motivo para desgosto com o 0 a 0. Já as torcidas não saíram empolgadas do estádio municipal que querem transformar em elefante branco após o Mundial de 14. Santos e Corinthians seguiram o roteiro tradicional desses tira-teimas em duas partes. Sabe como é? Se der para ganhar, ótimo. Caso contrário, bobagem forçar, se ainda tem a parte final. Sem se darem conta, colocaram em prática o lema dos folgados: pra que resolver hoje, o que pode ficar para amanhã? Stress demais emperra a vida, devagar se vai ao longe. Escolha o lugar-comum e aplique ao jogo de ontem.

Os dois saíram de campo lamentando chances perdidas, mas intimamente satisfeitos com as perspectivas para o capítulo final. O Santos fez rápida volta para a Baixada (hoje, retorna a São Paulo para viajar para a Colômbia), certo de que, em casa, a sorte lhe será favorável. O Corinthians se consola com a possibilidade de enfrentar um rival desgastado com o compromisso de meio de semana pela Libertadores. Acha que a tarefa de ficar com a taça será menos árdua.

Tite e Muricy não são de arriscar-se, quando se deparam com os benditos "jogos de 180 minutos". Não foi diferente na primeira metade da final do Paulista. Ninguém tinha um ás escondido na manga, nem surpreendeu com postura tática diferente. Mudanças (de nomes)ocorreram, por impossibilidade de titulares serem escalados. O Santos ficou sem Leo e Arouca, machucados. O Corinthians sem Alessandro. No mais, tudo dentro da cartilha dos treinadores, no que resultou em jogo igual.

O Corinthians comportou-se melhor em parte da etapa inicial. Não na criação, já que não passaram de três suas conclusões mais bem elaboradas ou com dose razoável de adrenalina e pontaria. A turma de Tite soube segurar o Santos, com Ralf, Wallace (que jogou no lugar de Alessandro) e Paulinho em vigilância corrosiva sobre Elano, Neymar e Ganso. O trio santista andou sumido, ainda assim Neymar mandou uma bola na trave aos 23, em jogada individual.

O Santos se soltou mais na etapa final, por ironia quando já estava sem Ganso, que pediu para sair no intervalo , depois de fazer apresentação discretíssima. Alan Patrick o substituiu e, se não teve brilho, compensou com boa colocação no meio e auxiliou na marcação.

O time de Muricy chacoalhou a partir do momento em que o abandonado Neymar acordou para o jogo, passou a zanzar pela direita e pela esquerda até deixar os cabelos dos zagueiros corintianos mais em pé do que os dele. O azougue desembestou em três jogadas seguidas, entre os 9 e 11 minutos, que por centímetros não definiram a partida. No primeiro, deixou Danilo na cara de Júlio César, mas Chicão salvou em cima da linha. No segundo, chutou para defesa do goleiro e no terceiro a bola foi no travessão. Depois, cansou.

Tite mexeu no time em seguida, numa mexida previsível (William no lugar de Dentinho, que de novo negou fogo) e noutra mais estranha (tirou Bruno César, que arriscava e criava, para pôr Moraes, que passou em branco). Fraco, também, o desempenho de Zé Eduardo e Liedson, dois que não acharam espaço, receberam poucas bolas e estiveram descalibrados.

O primeiro jogo da final foi tão bem comportado que até o juiz passou batido: Cleber Abade teve atuação discreta, como deveria ser a norma para os árbitros. Já que o script foi seguido à risca, na próxima, não haverá dúvida nem escapatória: domingo que vem, na Vila, o jogo será quente. Finalíssima não é morna duas vezes.

Pelo Brasil. Falcão e Cuca continuam com dor de cabeça. O Inter perdeu a primeira para o Grêmio (3 a 2) e o Cruzeiro caiu diante do Atlético (2 a 1). Bonito demais fez o Ceará, que lascou 5 a 0 no Guarani, conquistou o título local, e embala mais para pegar de novo o Fla pela Copa do Brasil.

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