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Antero Greco
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Ficção e vida real

Há tanta ficção por aí que em certos momentos a gente parece viver no mundo da fantasia. A ponto de fatos e personagens reais soarem como invenção, coisa de teatro, cinema, romance, novela, ou - quem sabe? - Big Brother. Como se nada fosse verdadeiro e todos representassem papéis previamente ensaiados.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h05

Essa sensação paira no ar, com a decisão de apresentar-se o suposto autor do disparo do sinalizador que no meio da semana passada matou o boliviano Kevin Beltrán. Com direito a entrevista na tevê, o rapaz de 17 anos - portanto, menor de idade - assumirá responsabilidade pela tragédia ocorrida em Oruro.

O moço responderá pelo ato diante de autoridades brasileiras e vai submeter-se à legislação do país específica para os delitos cometidos por pessoas abaixo dos 18 anos de idade. Costuma-se sugerir penas alternativas e educadoras para os enquadrados nesses casos.

Com isso, se supõe, fica esclarecido o episódio chocante da quarta-feira e se escancara a porta para que se faça justiça. Ao mesmo tempo, abre-se caminho para que os 12 torcedores detidos na casa do vizinho sejam liberados, pois o culpado apareceu e o mistério se desfez.

O caso continuará a seguir os trâmites normais, mas com alguma mudança de rumo daqui em diante. Suspeitos e acusados precisam ter garantias de defesa ampla, como princípio básico de direito humano em qualquer parte do mundo. Mas a esperança é de que a atenção se concentre no adolescente que resolveu abrir o jogo. Espontaneamente, conforme afirmam os que lhe são próximos.

Continua a impressão de que a vida real se confunde com a imaginação de roteirista pouco criativo. Certo mesmo é que Kevin não era personagem de ficção, morreu estupidamente aos 14 anos e talvez se transforme apenas em mais um número na estatística das vítimas da violência no futebol. Fica a dúvida até se a memória dele será honrada - e isso vai bem além de uma faixa de solidariedade estendida num estádio.

Logo a rotina será retomada e todos, atores e público, estaremos à espera da nova tragédia. Real, e não fictícia.

Marcha lenta. O Corinthians foi estranho, nos 2 a 2 com o Bragantino. A equipe de Tite, alterada em relação àquela que estreou na Libertadores, pareceu travada, diante de rival nada além de ajustado. O jogo não fluiu, lances ataque eram raros, na primeira fase se arrastou.

Houve emoção na segunda metade, com os gols e o esforço para o campeão do mundo empatar duas vezes - a última bem nos acréscimos, de pênalti cobrado por Guerrero, que substitui bem um Douglas indolente e a perder espaço no time. Pato fez mais um gol, o goleiro Cássio ainda está fora de sintonia, Renato Augusto tevê fôlego para um tempo. O Corinthians demora a engrenar, leva o Estadual em banho-maria e agora tem um ponto de interrogação em torno do futuro na campanha do torneio continental.

Palmeiras sobe. Embora o Campeonato Paulista não seja parâmetro confiável, Gilson Kleina molda uma equipe razoável, que aumenta a série invicta, se firma no bloco principal e, com menos tensão, busca a formação ideal. Diante do União Barbarense, no Pacaembu com bom público, sobressaiu a marcação no meio-campo, a defesa se mantém mais estável e o ataque, sem jogadores brilhantes, se fixa como o mais produtivo até agora. Leandro, recém-desembarcado no clube, desponta como alternativa e revelou personalidade no lance do gol. Aos poucos, o time ganha cara.

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