Fiel se reúne com diretor e atletas e pede a saída de 4

Torcedores levam faixas, agitam treino do Corinthians e elegem os culpados: Souza, Danilo, Moacir e Alessandro

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

Faixas de protesto. Gritos cobrando raça e empenho. E até conversa com os líderes do time. A crise chegou de vez ao Corinthians. Depois de três anos de harmonia com o time, a torcida se cansou de ver a equipe falhar e, após seis jogos sem vitórias no Brasileiro, resolveu cobrar os jogadores. Ontem, cerca de 70 integrantes das principais organizadas do clube foram ao CT do Parque Ecológico para "colocar pavor" em seus ídolos.

Precavido, o Corinthians solicitou reforço policial antes de os torcedores chegarem, o que evitou a invasão do local - foram seis viaturas no CT. Mesmo assim, o clima foi pesado. Em cinco faixas, pediram a cabeça de jogadores como Souza, Danilo, Moacir e Alessandro - o lateral, segundo um integrante da torcida, por dar "um migué diante do Vasco, fingir estar machucado e pedir para sair - e exigiram que o time vença o Guarani, amanhã.

O diretor Mário Gobbi, ao lado dos zagueiros Chicão e William, o lateral Roberto Carlos e o volante Elias foram "obrigados" a receber os manifestantes. Por 27 minutos, numa sala ao lado do portão principal, ouviram uma série de reclamações. O capitão William, o que mais falou, em alguns momentos até levantou o braço pedindo calma. Roberto Carlos, assustado com algo inusitado na carreira, prometeu que os bons resultados virão com o apoio dos torcedores.

"A torcida do Corinthians nasceu para reivindicar. Eles vieram cobrar mais empenho e dedicação, pois sabem que poderíamos estar em situação melhor. Tomara Deus que essa conversa seja útil e da próxima vez eles venham aqui para agradecer", afirmou o volante Elias, garantindo não ver problemas em protestos sem violência.

"Quem não aguenta pressão é melhor nem vir para cá, fica em casa. Todo lugar tem cobrança. A torcida veio saber o que estava acontecendo com o time, sempre nos acompanhou, lota os estádios e, neste momento, disse que vão continuar apoiando."

O CT do Parque Ecológico foi projetado para evitar a presença de torcedores. Para dar calma total para o time treinar. Mas, mais uma vez, os torcedores mostraram que conseguem dominar os dirigentes. Já haviam ido ao local duas vezes na semana passada para pedir a cabeça de Adilson Batista e de alguns jogadores e agora voltaram com uma certeza: a de que Souza não mais vestirá a camisa da equipe.

Essa "vitória" foi comemorada com palmas, o hino do clube e a queima de alguns rojões. O atacante nunca teve prestígio entre os corintianos e ficou em situação delicada depois de fazer gestos obscenos diante do Vasco e cruzar os braços como fazem torcedores flamenguistas e são-paulinos. Para evitar tumultos, Souza trabalhou pela manhã e pediu dispensa até segunda-feira, prontamente cedida pelos dirigentes.

"A gente conversou com eles sobre o elenco, não sobre jogadores específicos. A conversa é para que o elenco reaja o mais rápido possível e volte a vencer", minimizou Elias, garantindo que o elenco dará força a Souza. "Ele pode ser punido pelo gesto obsceno, mas ficará fora desse jogo para resolver problemas particulares. Se achar melhor voltar, vamos apoiá-lo."

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