Fifa apenas suspende envolvidos em corrupção

Dirigentes flagrados em esquema de venda de votos não poderão participar da escolha da sede das Copas de 2018 e 2022

Jamil Chade ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Em uma tentativa de salvar sua imagem, a Fifa anunciou ontem que suspendeu seis cartolas acusados de ter negociado ou oferecido a venda de votos para a escolha das sedes da Copa do Mundo. Dois deles são do Comitê Executivo e não poderão votar na decisão dos próximas dois Mundiais, no dia 2 de dezembro. Mas os envolvidos não foram banidos da entidade. Para completar, países suspeitos de fechar acordos secretos e troca de votos - Espanha e Catar - foram absolvidos "por falta de provas".

Reynald Temarii, vice-presidente da Fifa, pediu R$ 3,9 milhões por seu apoio, na forma da construção de um centro de treinamento em seu país, o Taiti. Ontem, foi inocentado de corrupção e apenas punido por "falta de lealdade com a Fifa" e "violação de confidencialidade" em relação a quem votaria. Sua pena: um ano de suspensão e uma multa de R$ 9 mil.

Amos Adamu, da Nigéria, aparece nos vídeos feitos de forma clandestinas pedindo US$ 800 mil (R$ 1,4 milhão) por seu voto e deixou claro que o dinheiro deveria ir a sua conta, e não da federação africana. Ontem, foi punido por corrupção com três anos de suspensão e uma multa de US$ 10 mil (R$ 18 mil).

Claudio Sulser, diretor do Comitê de Ética da Fifa, se recusou a explicar o motivo da diferenciação das penas e não aceitou dar detalhes sobre como chagaram a essa punição. Sulser ainda fez mistério sobre como foram feitas as investigações. "Foram decisões difíceis. Há muito em jogo", admitiu.

O caso surgiu depois que o jornal inglês Sunday Times se passou por uma empresa de lobby buscando apoio dos membros da Fifa para a candidatura dos Estados Unidos. Encontrou dois dos 24 membros que votariam pelas sedes em dezembro dispostos a vender seus votos.

Outros quatro cartolas que também apareciam nos vídeos do jornal britânico foram punidos. Slim Aloulou, diretor da Câmara de Resolução de Disputas da Fifa, foi suspenso por dois anos. Ahongalu Fusimalohi, secretario-geral da Federação de Tonga, por três anos. Amadou Diakite, integrante do Comitê de Arbitragem da Fifa, por três anos. Todos também pagarão multa de R$ 18 mil.

Votos. A Fifa ainda inocentou as candidaturas de Catar para a Copa de 2022 e a da Espanha-Portugal para 2018. A entidade havia recebido informações de as duas candidaturas haviam fechado um acordo para a troca de votos, o que seria proibido. Ontem, Sulser confirmou que sequer ouviu os envolvidos e que recebeu uma explicação por escrito de cada um deles. "Não há elementos suficientes para chegar à conclusão de conluio entre as candidaturas de Qatar e Espanha-Portugal", disse.

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