Fifa corta e silencia árbitros da Copa

Entidade afasta juízes que cometeram erros graves e proíbe os que ficaram de falar sobre lances e recursos eletrônicos

Jamil Chade e Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADOS ESPECIAIS

PRETÓRIA

A Fifa tirou da Copa do Mundo os árbitros envolvidos em polêmicas. E, apesar de se dizer aberta para debater a introdução da tecnologia e de pedir desculpas pelos seguidos erros da arbitragem (veja matéria abaixo), a entidade optou por censurar os juízes que ficaram no Mundial para evitar críticas à organização. Ontem, mais de 500 profissionais de imprensa participaram de um encontro com os árbitros. Entre eles, porém, não estavam os envolvidos nas polêmicas.

Antes da conversa, a Fifa reuniu os árbitros para informar que estava proibido qualquer comentário sobre tecnologia ou incidentes no campo. "A Fifa nos proibiu de falar de decisões tomadas em campo e da tecnologia. É uma decisão de cima", afirmou o representante brasileiro Carlos Eugênio Simon. Questionado, então, sobre o que poderia falar, ele ironizou: "Vamos falar do Mandela." Simon foi mantido na Copa e tem a chance de bater o recorde de juiz com maior número de jogos apitados em Mundiais. Mas entre os favoritos para comandar a final está o mexicano Marco Antonio Moreno.

Adeus. O árbitro uruguaio Jorge Larrionda, que não deu o gol do inglês Lampard contra a Alemanha, no domingo, foi mandado para casa. O gol seria o do empate e câmeras de todo o mundo puderam registrar como a bola quicou dentro do gol depois de bater no travessão. O mesmo ocorreu com o italiano Roberto Rosseti, que não marcou impedimento do argentino Tevez no primeiro gol contra o México.

Quem ainda deixou a Copa foi o juiz do Mali, Koman Koulibaly. Ele invalidou um gol legítimo dos Estados Unidos na primeira fase, que seria o da virada americana contra a Eslovênia. Ontem, Koulibaly se recusou a comentar o lance. Questionado sobre qual foi a irregularidade, disse apenas que "não estava preparado para dar uma resposta". Segundo ele, a única obrigação que tem é informar à Comissão de Arbitragem.

Oficialmente, a Fifa não comenta a nova lista de árbitros que ficam até a final. Mas dos 29 trios que iniciaram o Mundial, dez foram dispensados, entre eles aqueles que a comissão julgou incapacitados tecnicamente para prosseguir.

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