Fifa estuda atrasar início da Copa no Brasil em um mês

Objetivo da entidade é dar mais tempo de descanso aos jogadores e, assim, melhorar o nível técnico da competição

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

Para garantir que a Copa de 2014 não repita o fiasco em campo como ocorreu na África do Sul 2010, a Fifa estuda adiar em quase um mês o início do maior torneio do mundo. A meta é dar mais tempo para que os astros possam se recuperar de temporadas duras em seus clubes e chegar ao Mundial em plena forma.

A ideia faz parte do pacote de reformas que um grupo técnico começa a analisar na Fifa. Em vez de o jogo inaugural ocorrer em junho, o Mundial teria seu início em julho. Fontes da entidade disseram ao Estado que patrocinadores, técnicos e mesmo redes de TV se queixaram ao ver jogos nada atraentes, sem gols e com as maiores estrelas do mundo se arrastando pelo campo.

Os parceiros da Fifa garantem que estão dispostos a continuar pagando os preços exorbitantes cobrados pela entidade para patrocinar o evento. Mas, em troca, precisam de um torneio de primeira categoria, o que não ocorreu em 2002, 2006 e 2010.

Neste ano, por exemplo, Wayne Rooney não conseguiu fazer um gol. Cristiano Ronaldo se despediu do torneio sem brilhar, Didier Drogba foi apenas uma sombra do jogador que atua pelo Chelsea e Kaká era apenas uma imagem distante do craque que levou o Milan a conquistas.

Os primeiros problemas foram registrados já na Copa de 2002, com qualidade em campo bem inferior à que se esperava de um Mundial. Para 2006, na Alemanha, uma semana extra foi dada às seleções, com torneios nacionais acabando mais cedo. Mas nem isso funcionou. Agora, a perspectiva é dar um mês inteiro aos treinadores das seleções.

Outra medida sob análise é a de impedir que jogos, mesmo da primeira fase, terminem empatados. A Fifa se irritou com os esquemas defensivos levados para a África do Sul. O resultado foi a pior média de gols na história das Copas e a qualidade baixa do futebol apresentado.

A entidade debate a introdução de cobranças de pênaltis já na primeira fase, obrigando os times a atacar. A prorrogação pode acabar e a Fifa ainda estuda a adoção da morte súbita nas partidas. Tudo para elevar o número de gols e tornar o evento mais emocionante. "Queremos uma Copa do Mundo mais atrativa", afirmou Joseph Blatter, presidente da Fifa. "Na primeira fase, ninguém quer perder. Na Copa deste ano, tivemos seis partidas que terminaram sem gols. Temos de rever isso." fase.

O desastre da arbitragem em 2010 também obrigará a Fifa a pensar na profissionalização dos juízes que atuam no Mundial.

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