Fifa estuda usar passaportes biológicos para combater doping

Ideia é colher amostras de sangue dos atletas para criar um perfil médico que será acompanhado na temporada

Brian Homewood, Reuters

29 de outubro de 2009 | 15h00

A Fifa trabalhará com a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) para intensificar a pressão contra o doping no esporte, possivelmente adotando passaportes biológicos ao estilo do ciclismo.

"Essa é uma estratégia que pode ser extremamente benéfica nos próximos anos", disse o presidente da Wada, John Fahey, após um encontro com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, na sede do organismo, na quinta-feira.

"Nós saudamos essa parceria e estamos felizes porque um esporte tão importante está preparado para trabalhar conosco", acrescentou ele, advertindo que poderia levar tempo para implementar as medidas. "Isso pode não trazer resultados imediatos", disse.

Desde janeiro de 2008 a União Ciclista Internacional (UCI) colhe amostras de sangue de todos os ciclistas profissionais a fim de criar um perfil médico, que será comparado com os dados registrados em testes antidoping.

"Esse é um projeto de longo prazo e vale a pena ser explorado", disse a principal autoridade médica da Fifa, Jiri Dvorak, acrescentando que a Fifa faz 33 mil testes de doping por ano.

"Desses, 0,3 por cento testa positivo, na maioria para drogas sociais como maconha e cocaína", afirmou Dvorak. Ele disse que 0,03 por cento dos 33 mil testaram positivo para drogas que melhoram o desempenho.

Recentemente, a Fifa e a Wada envolveram-se numa série de disputas, basicamente sobre a polêmica regra do paradeiro, que exige que os atletas dêem um aviso de três meses sobre onde estarão todos os dias. No entanto, os dois lados acertaram suas diferenças e Fahey afirmou que a Fifa estava agora de acordo com as regulamentações da Wada.

"A Fifa tem um robusto e extenso programa antidoping e está totalmente de acordo com o comitê mundial antidoping", afirmou ele. "O programa da Fifa é um programa muito bom". Blatter, o presidente da Fifa, disse que o esporte estava fazendo tudo o que estava a seu alcance.

"Eu fui muito franco quando disse que não há drogas no futebol", afirmou ele. "Trinta e três mil (testes) é a melhor quantidade. Não podemos fazer mais do que isso".

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