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Fifa ordena e Argentina terá Messi na China

Decisão da entidade obriga Barcelona e demais clubes a liberarem todos os jogadores com menos de 23 anos

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Quem gosta de futebol ganhou mais um motivo para acordar de madrugada e assistir às disputa do futebol olímpico: o atacante argentino Lionel Messi, do Barcelona, foi liberado pela Fifa para defender sua seleção nos Jogos de Pequim.A novela que já durava duas semanas terminou ontem e também teve final feliz para dois brasileiros. O meia Diego e o lateral-direito Rafinha já estavam com a seleção de Dunga na Ásia, apesar de seus clubes (Werder Bremen e Schalke 04, respectivamente) não terem permitido que eles viajassem.As duas agremiações alemãs haviam ingressado com ação no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), na Suíça, na qual pediam a volta de seus jogadores. Mas ontem, além da decisão da Fifa,o TAS se declarou "incompetente" para julgar o caso. O posicionamento da corte esportiva fez o Barcelona desistir de qualquer ação no Tribunal.Messi deve chegar hoje ao Japão, onde a seleção sub-23 da Argentina - reforçada com Javier Mascherano, Juan Román Riquelme e Nicolás Pareja - treina para a Olimpíada.Poucas horas antes de a Fifa decidir pela liberação do jogador, Messi concedeu uma breve entrevista coletiva. O astro disse que acataria a decisão da entidade máxima do futebol, mas já sabia que o vento soprava na direção da Argentina."Quero defender minha seleção, como sempre quis", declarou o atacante de 21 anos. "Minha maior vontade é estar com meus companheiros. Sempre deixei claro que queria estar nos Jogos Olímpicos." Horas depois, a Fifa o liberou, mas ainda havia a possibilidade de o Barcelona apelar ao TAS. "Vou seguir apenas o que diz a Fifa e não esperar pela definição do tribunal esportivo", afirmou Messi. E então foi a vez de o TAS se esquivar do caso. A Associação de Futebol da Argentina, imediatamente mandou-lhe passagens para a Ásia.PRESSÃO NA ARGENTINAMessi já começava a sofrer grande pressão em seu país, que tenta em Pequim o bicampeonato olímpico. Sobretudo depois que Diego Maradona, eterno ídolo e palpiteiro sobre tudo o que cerca o futebol argentino, se pronunciou sobre o caso. "Ele deveria demonstrar mais caráter", atirou o eterno ?Diez? argentino. Maradona até tentou se redimir depois com Messi - "são outros tempos, outros contratos" -, mas ninguém prestou atenção às ressalvas. O estrago na imagem do garoto-prodígio já estava feito.O técnico da seleção olímpica argentina, Sergio Batista, também teve seu papel na novela. Sua seleção está treinando com apenas 17 jogadores, um a menos do que a quantidade a ser inscrita nos Jogos."Preciso de uma definição de Messi", havia declarado Batista anteontem. "Se ele não se apresentar à seleção até sexta-feira, ficará fora. Não posso esperar mais do que isso."O mesmo Batista ontem comemorou. "Vamos fazer o possível para adaptá-lo ao time", comentou. "Quero que ele jogue mais no meio, e não tão aberto quanto no Barcelona. Messi vai atuar à frente de Riquelme e atrás de Agüero", esfregou as mãos Batista, sobre seu provável ataque.RESIGNAÇÃO EM BARCELONAO Barcelona fez de tudo para não liberar Lionel Messi para defender a Argentina nos Jogos. Do presidente Joan Laporta ao capitão Carles Puyol, passando pelo técnico Josep Guardiola, todos deram declarações incitando o atacante a ficar no clube espanhol.O ocaso de Ronaldinho Gaúcho tornou Messi a estrela da companhia. No ano passado, foi eleito o segundo melhor jogador do mundo, atrás de Kaká. Na semana passada, ele seguiu com o time para a Escócia e participou de dois amistosos. Ontem, disputou de um jogo contra a Fiorentina, na Itália. E de lá seguiria para os EUA."Se a Fifa diz que ele deve ir a Pequim, nós temos que respeitar", afirmou o presidente Laporta. O cartola chegou a dizer que recorreria ao TAS, antes de saber que o tribunal considera "a Carta Olímpica incompatível aos clubes profissionais".O Barcelona não queria liberar o jogador, porque, além da pré-temporada, vai participar da fase de classificação da Copa dos Campeões em agosto, período que coincide com o torneio na China.A decisão da Fifa - tomada pelo juiz tunisiano Slim Aloulou, da Comissão do Estatuto do Jogador - é um sinal de apoio da entidade ao futebol olímpico. Nem Fifa e nem Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiram o que vão fazer da modalidade nas próximas edições olímpicas. Mas pelo menos em 2008 os melhores jogadores sub-23 estarão em Pequim."Os Jogos representam uma oportunidade única para os atletas de qualquer disciplina esportiva e, portanto, não se pode justificar o impedimento a qualquer jogador com menos de 23 anos em participar desse acontecimento", escreveu Aloulou.Desde 1988, quando se estipulou que a Olimpíada seria disputada por atletas sub-23, os clubes aceitaram liberar seus jogadores. Messi seria o primeiro caso em contrário. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, havia recomendado a liberação de Messi. Mas os clubes europeus, em eterna queda de braço com a entidade, resistiam. Até ontem.

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