Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

Fifa pressiona Brasil na festa da Copa

Nas comemorações dos mil dias que faltam para abertura do Mundial, entidade cobra agilidade do governo e garantias na Lei Geral do evento

Luiz Antônio Prósperi e Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

É crítica a relação entre a Fifa e o governo federal. No dia em que se comemorou a marca de mil dias para a Copa de 2014, o comando da Fifa pressionou as autoridades. O ponto máximo da tensão passa pelo projeto da Lei Geral da Copa, assinado ontem pela presidente Dilma Rousseff.

Interlocutores da Fifa, procurados pelo Estado, disseram que o projeto da Lei Geral não atende às exigências da entidade para a realização do Mundial. "Sem a lei, não há Copa", revelou um dos executivos ligados à organização do Mundial de 2014.

Pronto para ser assinado em março, após um amplo entendimento entre a Fifa e o governo federal, o projeto da Lei Geral sofreu alterações até a presidente Dilma colocar a sua assinatura, durante sua visita às obras do Mineirão, em Belo Horizonte.

"Com a assinatura da presidenta hoje (ontem) e o envio do projeto ao Congresso, nós estamos otimistas que o Congresso vai aprovar esse último compromisso institucional do Brasil com a Fifa, quem sabe até o final do ano" disse o ministro do Esporte, Orlando Silva, ontem de manhã, em Belo Horizonte.

O problema é que a Fifa não pode esperar até o final do ano para a aprovação da lei. A entidade quer, entre outros itens, as garantias do controle total da venda de ingressos e proteção das marcas dos seus patrocinadores no Brasil, no máximo até outubro quando realizará o seu congresso em Zurique.

Neste congresso, nos dias 20 e 21, a Fifa vai definir a distribuição dos jogos entre as 12 sedes, as cidades da abertura e da final do Mundial e dar início à venda dos bilhetes da Copa.

"Como vamos vender os ingressos para um cidadão, por exemplo, dos Estados Unidos, se não temos a garantia do governo brasileiro de que a Fifa vai ter o controle total da venda?" questiona um executivo ligado à organização do Mundial 2014.

A entidade exige o controle parar determinar os valores dos ingressos, ignorando por completo, por exemplo, a lei da meia-entrada, que é uma das peças de destaque do Estatuto do Torcedor vigente no País.

Outro item do projeto Lei da Copa que a Fifa exige é a facilitação da concessão de visto de trabalho para executivos da entidade e para estrangeiros funcionários das empresas ligadas à Fifa.

Diante das incertezas da Fifa, o executivo traçou um panorama preocupante para o andamento do Mundial. "O quadro está feio, muito feio."

Bronca no Ministério. Outra preocupação da entidade é a interferência do Ministério do Esporte na organização da Copa. Fonte próximas da cúpula da Fifa confirmaram ao Estado que o imobilismo do Ministério praticamente é total. O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, vem declarando a pessoas mais próximas que está "irritado" e "sem saber mais o que fazer" com a falta de ação do governo.

Dentro da entidade, a preocupação é de que o Ministério do Esporte age como se fosse o dono da Copa e não a Fifa.

O Estado tentou entrar em contato com a assessoria do Ministro do Esporte, Orlando Silva, no final da tarde de ontem, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

Há ainda um incômodo geral na cúpula da Fifa com a ação do governo federal na execução das obras ligadas à Copa. De acordo com avaliação da entidade, apenas as reformas e construções dos estádios estão dentro do prazo, apesar de alguns atrasos.

Quanto aos projetos de modernização dos aeroportos, mobilidade urbana, infraestrutura nas cidades-sede, novas tecnologias, transporte e rede hoteleira, sempre de acordo com a avaliação da Fifa, o Brasil pouco avançou nos últimos dois anos.

INGRESSOS

21 de outubro é o dia que a Fifa vai dar início à venda de ingressos para os jogos nas 12 sedes da Copa do Mundo de 2014

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