Fifa volta atrás e libera jogos na altitude

Entidade também estuda projeto para limitar estrangeiros nos clubes

O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 00h00

Ficou só na ameaça. A Fifa suspendeu ontem a proibição à realização de jogos internacionais em altitudes superiores a 2.750 metros. O presidente da entidade, Joseph Blatter, declarou ontem em Sydney, Austrália, que a decisão foi tomada para atender aos pedidos da Bolívia - que se sentida prejudicada pelo veto, já que a capital La Paz está a quase 3.600 metros de altitude. ''Vamos permitir que se jogue em La Paz de forma provisória, mas reabriremos o debate para continuar analisando a situação'', declarou Blatter.As conseqüências do anúncio da Fifa foram imediatas. O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou ontem mesmo a suspensão de todos os processos judiciais movidos contra a Fifa. ''É uma enorme satisfação'', declarou o mandatário.Morales também fez questão de agradecer o apoio dos demais países da América do Sul, que apoiaram a luta da Bolívia. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi a única a apoiar o veto inicial da Fifa.Também ontem, a entidade máxima do futebol anunciou a Colômbia como sede do próximo Mundial sub-20, a ser realizado em 2011. A Venezuela, que organizou a Copa América do ano passado e tem vários estádios novos, era a principal concorrente da Colômbia na luta para ser sede da competição.MENOS ESTRANGEIROSO presidente da Fifa também reforçou sua intenção de limitar o número de estrangeiros nos clubes de futebol. Blatter garantiu que a Fifa deve explorar todas as alternativas possíveis para decretar a regra.A proposta de Blatter - chamada ''6+5'', pois limita a cinco o número de estrangeiros em cada time - despertou uma batalha ideológica no futebol.O Arsenal é o maior exemplo do que a Fifa quer combater. O clube londrino freqüentemente entra em campo sem nenhum jogador inglês. O Chelsea, que recentemente perdeu a decisão da Copa dos Campeões para o Manchester United, escalou na final sete jogadores nascidos fora da Inglaterra.Os adversários ao projeto reclamam que a regra infringiria as leis trabalhistas da União Européia, que prevêem livre movimentação de trabalhadores entre os países do bloco.Mas Blatter argumenta que as cotas para estrangeiros são necessárias para garantir o desenvolvimento do esporte e impedir que os clubes ricos dominem os títulos.''Quero proteger as seleções nacionais e impedir que as ligas tenham um pequeno número de clubes com chances de conquistar o título.'' Por causa da forte oposição, o projeto ainda será discutido pelo Comitê Executivo.

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